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sábado, 22 de agosto de 2009

Enrico de prata

Linda história vale a pena conferir no Livro pois possui uma belíssima ilustração.
HÁ MUITO, MUITO TEMPO, NUM LUGAR MUITO, MUITO DISTANTE, VIVIA UM RICO MERCADOR CHAMADO ENRICO DE PRATA.

ENRICO ERA, DE LONGE, O HOMEM MAIS RICO DE SEU PAÍS. TINHA TUDO QUE O DINHEIRO PODIA COMPRAR. MAS HAVIA UM PEQUENO PROBLEMINHA. POR MAIS DINHEIRO QUE ENRICO DE PRATA TIVESSE, ELE NÃO ERA FELIZ. POR MAIS QUE POSSUÍSSE GRANDES CASTELOS, CAVALOS VELOZES OU CARRUAGENS ELEGANTES, ELE CONTINUAVA SENDO UM VELHO AZEDO E ENJOADO.

UM DIA, QUANDO ENRICO NÃO AGÜENTAVA SER INFELIZ POR NEM MAIS UM SEGUNDO SEQUER, ELE BRADOU:
– JÁ CHEGA! NÃO AGÜENTO MAIS ISSO!
VEJA SÓ, BEM LÁ NO FUNDO, ENRICO ERA BOA GENTE. MAS FELICIDADE ERA UM ABSOLUTO MISTÉRIO PARA ELE, E SABIA QUE PRECISAVA TOMAR UMA ATITUDE A RESPEITO.
ENTÃO, DECIDIU PROCURAR OS MELHORES MÉDICOS QUE O SEU DINHEIRO PUDESSE PAGAR. TODO DIA, ENTRAVA NUMA DE SUAS CARRUAGENS ELEGANTES E, TODO DIA, VOLTAVA SEM UMA RESPOSTA. LOGO SE TORNOU EVIDENTE QUE NENHUM MÉDICO PODERIA RESOLVER SEU PROBLEMA.

FATO NÚMERO 1: SÓ PORQUE ALGO É CARO, NÃO SIGNIFICA QUE TENHA VALOR
O MOTORISTA DE ENRICO, QUE PERCEBIA O QUÃO INFELIZ ESTAVA SEU CHEFE, DECIDIU ENTÃO LHE FALAR A RESPEITO DE UM VELHO SÁBIO QUE VIVIA MUITO LONGE, NA CIDADE ANTIGA.
– OUVI DIZER QUE ELE TEM RESPOSTA PARA TUDO. TALVEZ SAIBA COMO AJUDÁ-LO, SENHOR.
– QUANDO QUISER A SUA OPINIÃO, EU A COMPRO DE VOCÊ - RESPONDEU ENRICO.
É CLARO QUE O MOTORISTA NEM FICOU OFENDIDO, POIS ELE (ASSIM COMO TODO MUNDO) JÁ SE ACOSTUMARA COM O JEITO DIFÍCIL DE ENRICO, QUE NUNCA SE DAVA POR SATISFEITO.

FATO NÚMERO 2: GENTE INFELIZ GOSTA QUANDO TODO MUNDO AO SEU REDOR FICA FELIZ
DE QUALQUER FOREM, ENRICO ESTAVA TÃO DESESPERADO QUE, SEM PEDIR DESCULPAS PELA GROSSERIA, MANDOU SEU MOTORISTA LEVÁ-LO IMEDIATAMENTE AO VELHO SÁBIO.
ELE SUBIU EM SUA CARRUAGEM MAIS LUXUOSA, COM SEUS CAVALOS MAIS VELOZES, LEVANDO SEUS MAIORES SANDUÍCHES, E FOI AO ENCONTRO DO VELHO SÁBIO QUE VIVIA MUITO LONGE.
DEPOIS DE DEZ LONGOS DIAS E NOVE LONGAS NOITES, ENRICO DE PRATA CHEGOU À CIDADE ANTIGA.
HAVIA MUITAS COISAS BONITAS PARA SE VER, MAS ENRICO NÃO DAVA BOLA.
ESTAVA OCUPADO DEMAIS TENDO PENA DE SI PRÓPRIO, JÁ QUE HAVIA COMIDO TODOS OS SEUS SANDUÍCHES E SUA BARRIGA ESTAVA RONCANDO.
ELES PASSARAM POR PRÉDIOS GRANDIOSOS, E MUITAS CATEDRAIS, MAS ENRICO FICOU DESAPONTADO AO VER QUE SEU MOTORISTA NÃO PARAVA EM NENHUM DELES.
ENFIM, QUANDO ENRICO ACHAVA QUE IA DESMAIAR DE FOME, A CARRUAGEM PAROU Á FRENTE DE UMA SIMPLES E PEQUENA CABANA.
– QUE LUGAR É ESSE? - GRITOU ENRICO DE PRATA PARA SEU MOTORISTA. - ESTE É O ENDEREÇO QUE ME DERAM, SENHOR.
– NÃO PARECE SER A CASA DE UM HOMEM IMPORTANTE – DISSE ENRICO.
– DESCE E VAI LÁ VER. ASSIM FEZ O SEU MOTORISTA E, COMO PREVISTO, ELES HAVIAM ACHADO A CASA CERTA.
ENRICO DE PRATA SALTOU DA CARRUAGEM, OLHOU PARA OS LADOS PARA TER CERTEZA DE QUE NINGUÉM O ESTAVA OBSERVANDO, E BATEU À PORTA. A PORTA SE ABRIU E LÁ ESTAVA UM VELHO BAIXINHO, CUJA BARBA QUASE CHEGAVA AO CHÃO.
ENRICO SE APRESENTOU, E QUANDO DISSE AO VELHO QUE VIERA DE MUITO LONGE PARA VÊ-LO, FOI CONVIDADO A ALMOÇAR E A EXPLICAR SEU PROBLEMA.
– BOM. ESTOU COM MUITA FOME. PODIA COMER UM BOI – DISSE ENRICO, QUE ESTAVA ACOSTUMADO A SER SERVIDO.
– NÓS NÃO VAMOS COMER UM BOI - DISSE O SÁBIO, COM UM LEVE SORRISO. - MAS MINHA MULHER É ÓTIMA COZINHEIRA. VENHA Á COZINHA E COMA CONOSCO.
ENTÃO ELES SE SENTARAM NUMA MESINHA, E ENRICO COMEU COMO SE PASSASSE FOME HÁ SEMANAS.
A SITUAÇÃO ESTÁ PÉSSIMA – EXPLICOU ENRICO, QUANDO TERMINOU UM DELICIOSO PRATO DE ESPAGUETE.
PASSEI A VIDA TODA ACUMULANDO UMA FORTUNA PARA PODER SER FELIZ. AGORA TENHO TODO O DINHEIRO QUE UM HOMEM PODE QUERER, MAS AINDA ASSIM NÃO SOU FELIZ.
O VELHO NÃO FICOU NEM UM POUCO SURPRESO. ELE CHEGOU PERTO DE ENRICO E DISSE:
– HÁ UM SEGREDO MUITO IMPORTANTE QUE DEVEMOS APRENDER NESTA VIDA, MAS É MUITO DIFÍCIL DE PERCEBER, E AINDA MAIS DIFÍCIL DE OUVIR A RESPEITO, ENTÃO A MAIORIA DAS PESSOAS DEIXA PASSAR.
– QUE SEGREDO É ESSE? - PERGUNTOU ANSIOSO ENRICO.
– - O SEGREDO… - DISSE O SÁBIO, DANDO UMA BREVE PAUSA ENQUANTO ENRICO SE AJEITAVA NA CADEIRA E AGUÇAVA OS OUVIDOS. - O SEGREDO É O SEGUINTE: SE VOCÊ PARTILHA O QUE POSSUI E PENSA NOS OUTROS ANTES DE PENSAR EM SI MESMO, VOCÊ VAI ENCONTRAR A FELICIDADE.
– ENRICO DE PRATA ESTAVA CHOCADO.
– É SO ISSO? - INDAGOU.
– É TUDO ISSO – RESPONDEU O VELHO.
ENRICO NUNCA OUVIRA FALAR SOBRE PARTILHAR E PENSAR NOS OUTROS PRIMEIRO. A VIDA INTEIRA, ESCUTARA QUE PARA SER RICO E BEM-SUCEDIDO TERIA PRIMEIRO. A VIDA INTEIRA TERIA DE PENSAR EM UMA ÚNICA COISA: EM SI PRÓPRIO! ELE COÇOU A CABEÇA E FRANZIU AS SOBRANCELHAS. ISSO NÃO PODIA ESTAR CERTO. O VELHO SÓ PODIA SER UM CHARLATÃO. UM IMPOSTOR. UM EMBUSTEIRO! ENRICO QUIS SAIR DE LÁ IMEDIATAMENTE.
– O SENHOR DEVE SER UM HOMEM MUITO OCUPADO. NÃO VOU MAIS TOMAR O SEU TEMPO – DISSE ENRICO, FINGINDO SER EDUCADO.
– COMO QUISER – DISSE O VELHO, SORRINDO. - ESPERO QUE ENCONTRE O QUE ESTÁ PROCURANDO.
– OBRIGADO – GRUNHIU ENRICO, QUE SAIU A PASSOS RÁPIDOS E BATEU A PORTA ATRÁS DE SI.

– FATO NÚMERO 3: QUANDO VOCÊ DIZ A VERDADE, AS PESSOAS COSTUMAM BATER A PORTA NA SUA CARA.
– ENRICO FICOU PARADO NA RUA POR ALGUNS MINUTOS, SEM SABER O QUE FAZER. A SITUAÇÃO PARECIA NÃO TER MAIS JEITO. VIERA DE LONGE PARA ENCONTRAR UM VELHO SÁBIO QUE, NO FIM DAS CONTAS, ERA DOIDO DE PEDRA.
– ENRICO DECIDIU QUE NÃO QUERIA CONVERSAR COM NINGUÉM POR UM TEMPO, NEM MESMO COM SEU MOTORISTA. ELE CHECOU SE SUA GORDA BOLSA, CHEIA DE DINHEIRO, CONTINUAVA EM SEU PODER E FALOU AO MOTORISTA PARA ESPERAR.
– QUERIA DAR UMA ESPIADA.
– QUERIA PENSAR.
– CAMINHOU POR HORAS E HORAS NA CIDADE ANTIGA. À CERTA ALTURA, PASSOU POR UM HOMEM QUE TENTAVA TROCAR A RODA DA CARROÇA DELE. O HOMEM OLHOU PARA ELE E SEUS OLHOS SE CRUZARAM. ENRICO FICOU SEM GRAÇA. PARECIA QUE O HOMEM ESTAVA TRABALHANDO HÁ HORAS E FICOU CLARO QUE PRECISAVA DE AJUDA, MAS ERA UM TRABALHO DURO E COMPLICADO. ALÉM DISSO, NINGUÉM MAIS HAVIA PARADO PARA AJUDAR. ENTÃO, POR QUE ENRICO IRIA FAZÊ-LO? ELE CONTINUOU A SUA CAMINHADA E VOLTOU A PENSAR SOBRE SI MESMO E COMO FARIA PARA ENCONTRAR A FELICIDADE.
– O TEMPO PASSOU, E ENRICO FINALMENTE SE DEU CONTA DE QUE ESTAVA ESCURECENDO E NÃO HAVIA MAIS NINGUÉM NAS RUAS. ELE NÃO SABIA ONDE ESTAVA, NEM COMO FARIA PARA ACHAR SUA CARRUAGEM E O MOTORISTA.
– ENTÃO, DOIS HOMENS SALTARAM DA ESCURIDÃO. UM DELES USAVA UM TAPA-OLHO E CAMINHAVA COM UMA BENGALA. O OUTRO ERA BAIXO E NÃO TINHA DENTES. ELES GRITARAM PARA ENRICO:
– POR FAVOR, NOS AJUDE, SENHOR. ESTAMOS EM DIFICULDADES. O SENHOR PODERIA NOS DAR UM TROCADO?
– É CLARO QUE NÃO – DISSE ENRICO, TORCENDO O NARIZ. - SE VOCÊS PRECISAM DE DINHEIRO, QUE TRABALHEM. - COM ISSO, ENRICO SE VIROU PARA SAIR DALI.
DE REPENTE, OS DOIS HOMENS RESMUNGARAM ALGO E FRANZIRAM OS OLHOS. O BAIXINHO TINHA UMA VOZ AMEAÇADORA:
– DEVE HAVER UM ENGANO, DOUTOR. NÃO ESTAMOS PEDINDO O SEU DINHEIRO. VAMOS PEGAR TUDO.
– O HOMEM COM O TAPA-OLHO COMEÇOU A BRANDIR SUA BENGALA E A GRITAR PARA ENRICO.
– - VAMOS LEVAR SUAS ROUPAS TAMBÉM, SENHOR BACANA. E SEJA RÁPIDO.
ENRICO NUNCA FORA AMEAÇADO ANTES. PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA, ELE SENTIU MEDO. RAPIDAMENTE, LHES DEU O QUE QUERIAM, E OS DOIS HOMENS CORRERAM NOITE ADENTRO, SATISFEITOS COM UM TRABALHO BEM-FEITO.
ENRICO FICOU SÓ, DE CUECA E MEIAS, NUMA RUA ESCURA E VAZIA. ELE PODIA SENTIR AS LÁGRIMAS ESCORRENDO POR SEU ROSTO.
– - E AGORA? EU ME METI NUMA CONFUSÃO – MURMUROU PARA SI MESMO.

– FATO NÚMERO 4: PESSOAS INFELIZES SEMPRE ATRAEM MAIS INFELICIDADE.
– DE REPENTE, ELE OUVIU O BARULHO DE UMA CARROÇA DESCENDO A RUA.
– - SOCORRO! SOCORRO! - GRITOU ENRICO, ENQUANTO CORRIA PARA TENTAR FAZER A CARROÇA PARAR.
– - O QUE O SENHOR ESTÁ FAZENDO SEM ROUPAS NO MEIO DA RUA? - PERGUNTOU O HOMEM SIMPLES QUE DIRIGIA A CARROÇA.
– - FUI ROUBADO. DOIS LADRÕES APARECERAM E BATERAM EM MIM. ELES LEVARAM TUDO. POR FAVOR, ME AJUDE – GRITOU ENRICO, SENTINDO-SE TERRIVELMENTE HUMILHADO.
– - O SENHOR ME AJUDOU QUANDO EU PRECISAVA? - PERGUNTOU O HOMEM. ENTÃO ENRICO SE DEU CONTA DE QUE ERA O MESMO HOMEM QUE PRECISARA DE AJUDA PARA TROCAR A RODA DA CARROÇA, O MESMO HOMEM QUE ENRICO IGNORARA.
– - PEÇO MIL DESCULPAS – DISSE ENRICO, ARREPENDIDO DE NÃO TÊ-LO AJUDADO QUANDO TEVE CHANCE. ENRICO FICOU LÁ, PARADO, DE CUECAS, CHORAMINGANDO.
– - PARA ONDE O SENHOR ESTÁ INDO? - PERGUNTOU O HOMEM.
– QUERO IR SOARA GRANA PRETA, O MEU CASTELO – RESPONDEU ENRICO. - FICA AO PÉ DAS MONTANHAS TUTUABEÇA.
HOUVE UMA LONGA PAUSA. O CASTELO DE ENRICO ERA MUITO LONGE, E ELE TINHA CERTEZA DE QUE O HOMEM NÃO IRIA AJUDÁ-LO. ELE SE SENTIA INDEFESO E PERDIDO.
– - NA VERDADE, VOU PASSAR PELAS MONTANHAS TUTUABEÇA, E O LEVO ATÉ LÁ. MAS O SENHOR TERÁ DE TRABALHAR PARA MIM ATÉ CHEGARMOS – DISSE O HOMEM DA CARROÇA.
– - EU, TRABALHAR PARA VOCÊ? - EXCLAMOU ENRICO DE PRATA, BRANDINDO OS BRAÇOS COM RAIVA. SEM CHANCE. SOU O MERCADOR MAIS RICO DA REGIÃO. EU NÃO TRABALHO PRA NINGUÉM.
– - TODO O DINHEIRO DO MUNDO NÃO VAI LHE AJUDAR AGORA. BOA SORTE- DISSE O HOMEM, QUE COMEÇOU A SE AFASTAR.
– ENRICO ENTROU EM PÂNICO. SABIA QUE NÃO HAVIA OUTRA ESCOLHA.
– - POR FAVOR, VOLTE AQUI. DESCULPE SE O OFENDI. É CLARO QUE VOU TRABALHAR PARA VOCÊ.
– - BEM, ENTÃO SUBA – DISSE O HOMEM. - E NADA DE FICAR RECLAMANDO.
– - SEM RECLAMAR – REPETIU ENRICO, LUTANDO PARA SUBIR A BORDO COM SUAS MEIAS.
– - MEU NOME É FORFILLA – ANUNCIOU O HOMEM, ENQUANTO FAZIA O CAVALO ANDAR. , AS QUERO QUE ME CHAME DE SR. FORFILLA.
– - EU SOU ENRICO DE PRATA, MUITO HONRADO EM CONHECÊ-LO, SR. FORFILLA – DISSE ENRICO, ENXUGANDO AS LÁGRIMAS DOS OLHOS.
– - PONHA ISSO. O SENHOR ESTÁ RIDÍCULO – DISSE O SR. FORFILLA, ESTENDENDO UM COBERTOR QUENTE PARA ENRICO SE COBRIR.
QUANDO CHEGARAM À PERIFERIA DA CIDADE, ELES PARARAM NA FRENTE DE UMA PEQUENA LOJA. O SR. FORFILLA PEDIU A ENRICO QUE PEGASSE UMA ESCRIVANINHA DE MADEIRA EM SUA CARROÇA E A ENTREGASSE AO HOMEM QUE TRABALHAVA LÁ.
ENRICO SE SENTIU MEIO RIDÍCULO, POIS ESTAVA VESTIDO APENAS UM COBERTOR. MAS LEMBROU-SE DE SUA PROMESSA E FEZ O QUE LHE FOI PEDIDO.
ERA UMA ESCRIVANINHA PESADA. ENRICO PENOU PARA TIRÁ-LA SOZINHO DA CARROÇA E CARREGÁ-LA PORTA ADENTRO. ERA UM TRABALHO DIFÍCIL, E ENRICO ESTAVA TODO SUADO QUANDO RETORNOU Á CARROÇA.
AO SE PREPARAREM PARA CONTINUAR A JORNADA, M HOMEM BAIXINHO SAIU CORRENDO DA LOJA, BEIJOU A MÃO DO SR. FORFILLA E ENTÃO LHE DEU UM BELO PAR DE BOTAS.
QUANDO O HOMEM VOLTOU PARA DENTRO, O SR. FORFILLA SE VOLTOU PARA ENRICO E DISSE:
– CALCE ISSO. O SENHOR NÃO PODE EXECUTAR TAREFAS PARA MIM USANDO APENAS MEIAS.
– - ESTAS SÃO AS MELHORES BOTAS QUE JÁ VI - DISSE ENRICO, SENTINDO-SE AGRADECIDO PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA.
CALÇOU AS BOTAS, E ELAS ERAM DO TAMANHO CERTO. ELE SE AGASALHOU COM O COBERTOR, E OS DOIS CONTINUARAM A JORNADA.
ENRICO ESTAVA MUITO CANSADO E, EM QUESTÃO DE MINUTOS, ADORMECEU.
QUANDO ACORDOU, JÁ ERA DE MANHÃ. O SOL BRILHAVA, OS PÁSSAROS CANTAVAM, MAS A CARROÇA NÃO SE MOVIA.
O SR. FORFILLA ESTAVA TERMINANDO SEU CAFÉ-DA-MANHÃ. ELE OLHOU PARA ENRICO E DISSE:
– ACORDOU ANIMADO, SR DE PRATA? O SENHOR VAI ACHAR UMA VELHA CADEIRA NO FUNDO DA CARROÇA. QUERO QUE A ENTREGUE AO HOMEM QUE TRABALHA NAQUELA LOJA LOGO ALI.
ENRICO NÃO GOSTOU DE TER QUE TRABALHAR ANTES DO CAFÉ, MAS HAVIA FEITO UMA PROMESSA AO SR. FORFILLA E QUERIA CHEGAR EM CASA. ENTÃO DESCEU COM SUAS BOTAS NOVAS E SEU COBERTOR ENROLADO E PEGOU A CADEIRA NO FUNDO DA CARROÇA. À LUZ DO DIA, REPAROU QUE NÃO ERA UMA CADEIRA COMUM. ERA UMA DAS MELHORES CADEIRAS QUE O DINHEIRO PODIA COMPRAR, E HAVIA SIDO FEITA COM INACREDITÁVEL AMOR E CUIDADO.
– ISTO DEVE VALER UMA FORTUNA – EXCLAMOU ENRICO.
– O SR. FORFILLA LHE DISSE PARA FICAR QUIETO E CONTINUAR O SEU TRABALHO.
ENRICO CARREGOU A CADEIRA ATÉ A PEQUENA LOJA. LOGO CONCLUI QUE ERA UMA ALFAIATARIA, AO SE VER RODEADO DE TECIDOS E MÁQUINAS. LÁ, ATRÁS DE UMA MESA, SENTADO NUMA CADEIRA MUITO DESCONFORTÁVEL, ESTAVA UM HOMEM BEM VELHINHO.
– COLOQUE ALI - DISSE O SR. FORFILLA, QUE HAVIA ENTRADO ATRÁS DE ENRICO.
– OBRIGADO. O SR. É UM ANJO - DISSE O ALFAIATE AO SR. FORFILLA. - MINHAS COSTAS DOLORIDAS VÃO GOSTAR DESTE BELO PRESENTE. - ENTÃO O HOMEM SE AGACHOU SOB SUA MESA E TIROU DOIS CASACOS MUITO BEM DOBRADOS. -
– POR FAVOR, ACEITE. VÃO MANTER O SENOR E O SEU AMIGO AQUECIDOS NUMA NOITE FRIA.
– O ALFAIATE LHES ENTREGOU OS CASACOS MAGNÍFICOS, QUE ERAM FEITOS DA MELHOR COURO E COSTURADOS COM O MAIOR CUIDADO.
– ENRICO DE PRATA FICOU SEM FALA. ERA O MAIS BELO PRESENTE QUE JÁ GANHARA.
– OS PRÓXIMOS DEZ DIAS SE SEGUIRAM DA MESMA FORMA. O SR.FORFILLA APARECIA COM UM MONTE DE COISAS DO FUNDO DE SUA CARROÇA(MARTELOS, QUADROS, LENÇÓIS E UM INFINITO SUPRIMENTO DE MÓVEIS E ROUPAS), E ENRICO AS CARREGAVA PARA DENTRO DAS CASAS E LOJAS DE OUTRAS PESSOAS.
ELE NUNCA HAVIA TRABALHADO TANTO NA VIDA. NUNCA HAVIA VISTO TANTA GENTE SORRIR. ESTAVA COMEÇANDO A SE SENTIR BEM CONSIGO MESMO.

FATO NÚMERO 5:
SORRIR E CONTAGIOSO.
TODA VEZ QUE ENRICO ENTREGAVA ALGUMA COISA A ALGUÉM, GANHAVA DE VOLTA UMA OUTRA IGUALMENTE ÚTIL. E AO FIM DE CADA DIA, UM DESCONHECIDO BONDOSO OFERECIA A ELE E AO SR. FORFILLA UMA REFEIÇÃO E UMA CAMA QUENTE PARA DORMIREM.
ÁS VEZES HAVIA MÚSICA, E ELES CANTAVAM E DANÇAVAM.
ENRICO ESTAVA DORMINDO MELHOR DO QUE NUNCA EM SUA VIDA.
QUANDO ESTAVAM QUASE CHEGANDO AO SEU DESTINO, ENRICO SE VIROU PARA O SR.FORFILLA E DISSE:
– SUA VIDA É EXTREMAMENTE SIMPLES, E AINDA ASSIM PODE-SE VER QUE É UMA VIDA FELIZ. COMO PODE SER?
O ROSTO DO SR.FORFILLA SE ILUMINOU, E SEUS OLHOS BRILHARAM COMO SE HOUVESSE UM MONTE DE VELAS ESCONDIDAS.
– SOU FELIZ PORQUE CONHEÇO UM SEGREDO – RESPONDEU ELE.
– E QIE SEGREDO É ESSE? - PERGUNTOU ENRICO.
– NA VERDADE, É BEM SIMPLES – RESPONDEU O SR.FORFILLA. - SE VOCÊ PARTILHA O QUE POSSUI E PENSA NOS OUTROS ANTES DE PENSA EM SI MESMO, VOCÊ VAI ENCONTRAR A FELICIDADE.
ENRICO FICOU SURPRESO E SILENCIOSO, POIS ERA EXATAMENTE O QUE O VELHINHO DA CIDADE ANTIGA LHE DISSERA. MAS CONTINUAVA CONFUSO. ELES ESTAVAM RODANDO POR HORAS NO MEIO DE UMA FLORESTA, E ENRICO DECIDIU PEGAR AS RÉDEAS POR UM TEMPO, PARA QUE O SR. FORFILLA PUDESSE DESCANSAR.
ELE SE AGASALHOU COM O CASACO DE QUE TANTO GOSTAVA E, ENQUANTO O SR. FORFILLA DORMIA, PENSAVA COMO ERA AFORTUNADO POR TER ESTE BELO E QUENTE CASACO NUMA NOITE TÃO FRIA.
LEMBRO-SE DE COMO AS PESSOAS HAVIAM SIDO GENTIS. PERCEBEU QUE POR MAIS DE UMA SEMANA NÃO PENSAVA SOBRE A QUANTIDADE DE DINHEIRO QUE POSSUÍA. PERCEBEU QUE ESTAVA FELIZ.
QUANDO ALCANÇARAM OS LIMITES DA FLORESTA, PASSARAM POR UM MENDIGO TRÊMULO E DESCALÇO, QUE NÃO TINHA UM CASACO OU BOTAS PARA SE AQUECER. ENRICO TEVE PENA, MAS CONTINUOU EM FRENTE.
NO MEIO DA ESTRADA, PORÉM ELE PARAOU DE RENTE. FINALMENTE, HAVIA ENTENDIDO O QUE TODO MUNDO VINHA LHE DIZENDO. ELE TINHA ALI A OPORTUNIDADE DE ATENDER ÀS NECESSIDADES DE OUTRA PESSOA ANTES DAS SUAS.
ELE DESCEU DA CARROÇA E CORREU DE VOLTA PARA O MENDIGO. DEU A ELE SEU CASCO E SUAS BOTAS, ALÉM DE UM GRANDE ABRAÇO E UM BEIJO.
– POR FAVOR, ACEITE! ISSO ME FARÁ EXTREMAMENTE FELIZ – EXCLAMOU.
ANTES QUE O MENTIGO PUDESSE DIZER OBRIGADO, ENRICO CORREU DE VOLTA PARA A CARROÇA.
QUANDO O SOL ESTAVA NASCENDO. O SR. FORFILLA ACORDOU E VIU QUE ENRICO TINHA O VELHO CORBERTOR ENROLADO EM SEU CORPO E NADA ALÉM DE UM PAR DE MEIAS NOS PÉS.
– O QUE ACONTECEU COM SUAS ROUPAS? - PERGUNTOU.
ENRICO NÃO DISSE NADA, APENAS SE VIROU PARA O SR.FORFILLA E SORRIU PELA PRIMEIRA VEZ DESDE QUE DEIXOU DE SER CRIANÇA. SEU ROSTO S ILUMINOU E SEUS OLHOS BRILHAVAM COMO SE HOUVESSE UM MONTE DE VELAS ESCONDIDAS POR TRÁS DELES. O SR. FORFILLA SABIA EXATAMENTE O QUE HAVIA ACONTECIDO.
– NÓS ESTAMOS AGORA AOS PÉS DAS MONTANHAS TUTUABEÇA E POSSO VER SEU CASTELO DAQUI – DISSE O SR.FORFILLA.
– COMO O SENHOR SABE QUE AQUELE É MEU CASTELO? - PERGUNTOU ENRICO.
– PORQUE ERA MEU, ANTES DE O SENHOR COMPRÁ-LO – RESPONDEU O SR. FORFILLA. - JÁ FUI UM HOMEM MUITO RICO, E VIVIAS SOZINHO NAQUELE GRANDE CASTELO. MAS NÃO ERA FELIZ, ATÉ QUE DESCI DO MEU PEDESTAL E PARTILHEI O QUE EU TINHA COM OS OUTROS.
– ENRICO ESTAVA CHOCADO. ELE COMEÇAVA A VER AS COISAS COMO ELAS ERAM.
– ENTÃO É POR ISSO QUE O SENHO TINHA TODAS AQUELAS CADEIRAS LUXUOSAS! - EXCLAMOU.
– VEJO QUE É BEM ESPERTO PARA ALGUÉM COM UM NOME TÃO BOBO – DISSE O SR. FORFILLA.
– ENRICO OLHOU PARA O ALTO E RIU. ELE SABIA QUE HAVIA APRENDIDO UM SEGREDO MUITO IMPORTANTE SOBRE A FELICIDADE.
– LOGO CHEGARAM AO GRANAPRETA, E ENRICO PULOU DA CARROÇA.
– VENHA PARA DENTRO E EU LHE FAREI UM SANDUÍCHE – OFERECEU ENRICO.
– E OLHA QUE EU VOU MEMO – ACEITOU O SR.FORFILLA.
E OS DOIS AMIGOS ENTRARAM NO CASTELO.

FATO NÚMERO 6: QUANDO SE APRENDE A PARTILHAR, VOCÊ NÃO ENCONTRA SÓ FELICIDADE. ENCONTRA TAMBÉM UM AMIGO.

Fonte: Madona. Enrico de prata.–1ª ed.–Riode janeiro : Rocco, 2005.

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Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.
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Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao curral da fazenda advertindo a todos:
- Há uma ratoeira na casa! Há uma ratoeira na casa!
A galinha disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi então até o porco e lhe disse:
- Senhor Porco, há uma ratoeira na casa, uma ratoeira...
O porco disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar.
Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca.
A vaca lhe disse:
- O que Senhor Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo?
- Acho que não Senhora Vaca... Respondeu o rato.
Então o rato voltou para seu canto, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro sozinho.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa.
E a cobra picou a mulher.
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital era grave, porém por um milagre se recuperou e voltou para casa, mas com muitos cuidados.
Saúde abalada nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal, a galinha.
Como a doença da mulher continuava, os parentes, amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher se recuperou e o fazendeiro feliz da vida resolveu dar uma festa, matou a vaca para o churrasco...
MORAL DA HISTÓRIA:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando existir uma ratoeira todos correm risco.
(Fonte: catequistasheila)