CONTOS, CANTOS E ENCANTOS (HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS E ADULTO), ESPAÇO ONDE COMPARTILHAREI NARRATIVAS, INDICAÇÕES DE LIVROS E EVENTOS. "VAMOS INCENTIVAR O HÁBITO DE LEITURA!"


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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nova história

Pessoal!
Postei uma história nova veja no blog das histórias:

A chama da Alma


http://claudiacantoeconto2.blogspot.com.br/2012/04/chama-da-alma.html

sábado, 28 de janeiro de 2012

Os Compadres Corcundas
Nova história "Os compadres corcundas" Leiam no blog:
http://claudiacantoeconto2.blogspot.com/

sábado, 7 de janeiro de 2012

Luvas de histórias

Rapunzel
Dona Baratinha
A Joaninha diferente
A cigarra e a formiga
As princesas
O patinho feio
A corujinha branca
João e Maria
Chapeuzinho Vermelho
Cachinhos de ouro
Arca de Noé
Os três porquinhos

Este material foi confeccionado por mim com EVA, feltro.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mais Histórias de Natal

Mais duas histórias de Natal :
Noite Mágica
http://claudiacantoeconto2.blogspot.com/2011/11/noite-magica-debora-villela-petrin.html
Natal em paz
http://claudiacantoeconto2.blogspot.com/2011/11/nata-em-paz.html

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Histórias de Natal

Visitem as histórias de Natal postei também no http://www.claudiacantoeconto2.blogspot.com/

sábado, 29 de outubro de 2011

VOVÓ E NETINHA

História publicada no Blog Claudia Canto e Conto 2:

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Amigos para sempre


Postado em Claudia canto e conto 2
http://claudiacantoeconto2.blogspot.com/2011/10/amigos-para-sempre.html

domingo, 16 de outubro de 2011

Vamos combater a Dengue Pessoal!!!!

O Mosquito dengoso (Zeneide Lima)

(Vale a pena conferir o livro as ilustrações também são muito bonitas)

Dona cutia, todos os dias acordava bem cedinho para procurar tucumã na mata. Era seu fruto favorito!

Sentava à sombra de uma árvore e passava a manhã inteira roendo e roendo o frutinho delicioso.

Naquela manhã, estava ela em sua atividade preferida quando espantou-se com o canto altíssimo de Dona Saracura.

- Quiricó, quiricó, quiricó-có-có.

- Ai que susto a senhora me deu, cantando alto desse jeito, amiga saracura!

- Ah, me desculpe, Dona Cutia, mas vim lhe contar uma coisa que me deixou muito preocupada.

- O que foi, amiga?

- O jacaré me disse que tem um mosquito estrangeiro que veio do Egito para a nossa mata e que está infestando nossos bichos e até os seres humanos com uma doença que pode até matar.

- Que horror, Dona saracura!

- Pois é, amiga cutia. Estão dizendo que esse mosquito é muito metido a besta. Só gosta de água limpinha e parada. Fiquei preocupada com o amigo jacaré que mora naquela lagoa enorme.

- Nossa, Dona Saracura, é mesmo, temos que avisar ao compadre Caranguejo pois onde ele mora também tem muita água parada.

- E a senhora sabe o nome dessa doença?

- Não, mas o jacaré disse que quem pega essa doença fica todo dengoso, é uma tal de denguice paca, denguice pra lá que não se agüenta levantar para nada.

- Temos de tomar providências, Dona saracura!

E as duas saíram apressadas à procura do Professor Papagaio e o encontraram pousado em uma árvore, no meio da floresta.

Dona saracura foi logo dizendo:

- Seu Papagaio, o senhor não pode imaginar o perigo que estamos correndo. Tem um bicho estrangeiro que transmite um tal de “dengo”, e vamos todos morrer de denguice. O Seu Jacaré me disse que não tem certeza se é mosquito mesmo ou se é um bicho bicudo. Eu até pensei em seu Tamanduá, pois ele é que tem um focinho comprido!

O Professor Papagaio disse:

- Se acalme, Dona Saracura. Não vamos fazer um julgamento precipitado, vou saber tudo sobre essa doença agora mesmo.

O Professor Papagaio voou até um hospital na cidade mais próxima e ficou ali, olhando tudo, ouvindo conversas e pulando de janela em janela para não perder nada. Ouviu tudo que os médicos disseram sobre a dengue.

E no dia seguinte, pediu para Dona Saracura reunir os homens que moravam ali perto e os bichos da floresta.

Todos estavam preocupados e perguntavam:

- como este bicho entrou na mata sem que ninguém visse?

- Não adianta mais jogar inseticida neles?

- Será que vamos morrer?

E era um disse que disse, um cochicho aqui outro ali e mais os homens e a bicharada se apavoravam.

– Muita calma, minha gente!, disse o Papagaio.

- Agora já sei de tudo. O nome desse mosquito é Aedes Aegypti, e tem esse nome porque veio do Egito.

- Aedes a...a...a...o quê Professor?

- Aedes Aegypti , Dona Saracura!

– Ah, então meu amigo Jacaré tinha razão. Esse mosquito é estrangeiro mesmo!

– Sem dúvidas, Dona Saracura! Ele se espalhou pelo mundo a partir da África há muitos anos atrás. Primeiro veio para as Américas nos navios negreiros e depois foi para a Ásia. Hoje é encontrado em todas as áreas de clima quente do mundo, inclusive aqui no Brasil. E o nome da doença não é “dengo”, e sim dengue.

- Mas e os bichos, o que podemos fazer para nos proteger?

– Não precisamos nos proteger Dona Cutia, a dengue não é transmitida para os bichos, apenas para os seres humanos e eles não ficam “dengosos” e sim doentes com febre, dor de barriga, dor de cabeça e uma dor muito forte nos ossos. A dor é tão grande que em alguns lugares do país esta doença é chamada de “quebra-ossos” e pode até matar.

- Mas então como vamos ajudar os homens?

- Calma, não vamos nos desesperar. Temos que aprender a combater o mosquito e a melhor forma é eliminando a larva dele. A fêmea gosta de pôr seus ovos em água parada e limpa, e durante a gestação pica os homens para se alimentar.

- Nossa Professor, esse mosquito mais parece um morcego-vampiro!

- É Dona saracura, ele é muito perigoso e quando a fêmea se alimenta é que a doença é transmitida, pois, se pica uma pessoa contaminada, vai se espalhando a doença. Os humanos têm que aprender a combater estes monstrinhos.

- Mas como, Seu Papagaio?

O verdinho chamou os homens e aconselhou.

- voltem à cidade e digam a todos que não devem deixar água acumulada em pratos, pneus velhos e garrafas. Tampar bem as caixas-d’água, verificar as plantas que acumulam água.

A água parada parece limpa, mas não está. Existem muitos micróbios que se acumulam nestes locais e servem de alimento para que as larvas se desenvolvam.

- E mesmo com todos estes cuidados, para manter o mosquito bem longe, é preciso também que fiquem de olho nos vizinhos e, a qualquer sinal de criadouro do mosquito, os homens devem ser solidários e ajudar uns aos outros. Só assim vão vencer o mosquito.

A saracura cutucou a Cutia e disse muito orgulhosa:

- Mas que papagaio esperto, amiga Cutia!!!

Os bichos e os homens agradeceram ao Professor Papagaio por todos os conselhos. Agora, eles já sabiam o que deveriam fazer. Sabiam que as fêmeas picam os humanos e transmitem a doença e que gostam de lugares escuros. E, a partir daquele dia, se organizaram para combater o mosquito e, em pouco tempo, já não se via mais nenhum pneu velho acumulando água, os pratinhos das plantas tinham areia, as caixas-d’água estavam bem lacradas e protegidas por telas e os vizinhos se ajudavam e cuidavam do local onde viviam.

Os bichos da floresta ficaram muito tranqüilos e olhavam com satisfação o trabalho dos homens e com orgulho para o Professor Papagaio.

E o mosquito da dengue? Bem... desse, nunca mais se ouviu falar.


terça-feira, 8 de março de 2011

A fadinha das flores - Sheila Jorge

Era uma vez uma floresta encantada, onde moravam várias fadinhas, cada qual com um poder específico.

Tinha a fada do vento que balançava as árvores e dava movimento às plantas, a fada da água que utilizava seu poder para cuidar das águas do grande rio da floresta e dos peixinhos que moravam lá, a fada que falava com os animais e os ajudava a resolver todos os seus problemas e muitas outras…

Só que existia uma pequena fadinha que ainda não tinha descoberto o poder da sua magia.

Suas asas ainda não tinham crescido e ela ainda não sabia voar.

Ficava tentando falar com os animais, agitar o vento ou controlar as águas do rio, mas nada acontecia.

Saiu andando pela floresta, meio triste, coitadinha, pois achava que não servia para nada, que não tinha era poder nenhum.

Até passar por um lindo campo repleto de flores que ficaram muito alvoroçadas ao vê-la passar.

Ela ficou meio surpresa com a recepção das flores e disse com todo carinho:

- Bom dia, florzinhas!

E elas responderam em coro:

- Bom dia, querida fada das flores!

- Fada das flores, eu?

- Sim! e nós estávamos ansiosas esperando você chegar…

- Mas… vocês me conhecem?

- Claro que sim! nós vimos você nascer e a escolhemos para ser nossa fada madrinha!

- Mas eu não tenho nenhum poder, não posso ajudá-las em nada, sinto muito.

- Poder? você não imagina o poder que tem no seu coração, fadinha!

- Sério? então vocês podem me ajudar a usá-lo?

Então as flores pediram que ela se concentrasse e erguesse suas mãos, com pensamento positivo e desejando no fundo do coração que uma magia boa acontecesse sobre as flores.

De repente as flores que estavam ainda fechadas desabrocharam com cores lindas e as que estavam já ficando murchinhas recuperaram sua beleza e um perfume maravilhoso!

A fadinha não estava acreditando no que estava acontecendo, até que suas asas começaram a crescer, nas cores do arco-iris, e ela começou a voar, jogando sua magia sobre as flores que em retribuição jogaram algumas pétalas para o alto.

A fadinha teve uma idéia: recolheu as pétalas num cestinho e voou até a cidade mais próxima, jogando-as sobre as casas e pessoas para ver o que acontecia.

Uma pétala caiu sobre uma casa onde um casal estava brigando, quase se separando e quando aquela pétala tocou na casa deles imediatamente se abraçaram e fizeram as pazes, deixando muito felizes seus filhinhos.

Outra caiu em baixo de uma ponte onde moravam algumas crianças abandonadas e um casal sem filhos que ia passando pelo local de carro parou e as convidou para morarem em sua casa, formando assim uma linda família.

E assim, por onde a fadinha jogava suas pétalas encantadas, muitas coisas boas iam acontecendo.

Ela então entendeu que o poder da sua magia, que ela tanto procurava, estava o tempo todo dentro do seu coração: era o AMOR!

Meu nome é Sheila Jorge, moro no Rio de Janeiro e sou Analista de Marketing por profissão e blogueira de coração.



sábado, 5 de março de 2011

Conto de Carnaval


Visitem a postagem do conto de carnaval: Carnaval na floresta
http://claudiacantoeconto.blogspot.com/2010/02/conto-de-carnaval.html


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mais uma história minha!!!!

Amigos para sempre
Autora: Claudia Rodrigues Gomes
Em um reino distante havia uma senhora chamada Florentina.

Ela tinha quatro filhas: Florina, Florisbela, Florípedes e Florzina.



Certa vez sua filha mais velha, Florina, pediu um cachorrinho

e a mãe resolveu atendê-la, trouxe um filhote branco lindo e colocou o nome de Thuthuco;
passou um tempo e a segunda filha, Florisbela,
pediu um gatinho, a mãe pensou, pensou e deu um gato malhado que chamaram de Mimoso.

A terceira filha, Florípedes,

vendo que suas irmãs ganharam um bichinho de estimação, também quis um e pediu um pássaro. A mãe lhe trouxe um pássaro azul que logo foi chamado de Azulão.

Como a quarta filha, Florzina,

não havia pedido nada, ela lhe trouxe um peixinho que passou a se chamar Tiquinho por ser muito pequeno.

Os dias se passaram e elas divertiam-se muito com seus novos amigos, até que um dia, Mimoso passou a ter o desejo de comer aquele lindo pássaro azul. E o peixinho então... ele achava que devia ser delicioso.

As meninas tiveram que ficar vigiando, porém, havia horas que elas tinham que cumprir suas tarefas, estudo, ajudar a mãe nos trabalhos domésticos.

Thuthuco passou a tomar conta do gato, para que ele não fizesse nenhuma maldade aos outros indefesos. Ele vigiava dia e noite, passava horas olhando para o aquário e para a gaiola.

Florípedes então teve uma idéia:

- Vamos treinar o Azulão, para que ele fuja do Mimoso. E assim fez.

Azulão ficava solto e quando o gato vinha, ele voava bem alto para que Mimoso não o pegasse. E o gato então ficava furioso.

Vocês me perguntarão. E o peixinho no aquário? Ah! O Thuthuco continuava vigiando, com isso o cachorro ficava horas olhando para o aquário. Ele ficou com muita pena do peixe e passou a ter um carinho muito especial por ele.

Os dois conversavam sobre vários assuntos, tornaram-se grandes amigos, e o gato ficava lá observando e sentindo-se sozinho, quando sua dona não estava. Sentiu inveja do cachorro e foi conversar com ele.

- Como pode viver assim, sem ter vontade de comer este peixinho? - perguntou Mimoso

- Temos que nos respeitar, uns aos outros, veja como este peixe aí preso é indefeso. Imagine você preso em algum lugar. O que não queremos para nós, não podemos desejar para os outros. Sempre disseram que cachorro persegue gatos.

Alguma vez já te persegui?

Você gostaria que eu ficasse te perseguindo? Pense nisso e você entenderá. - disse o cachorro.

O gato saiu cabisbaixo e foi se deitar no seu cantinho. Pensou, pensou, até que chegou à conclusão de que o Thuthuco tinha razão.

Nunca mais ele perseguiu o Azulão e o Tiquinho. Surgiu entre eles uma grande amizade, recheada de amor, carinho, sinceridade e principalmente respeito.

As meninas ficaram muito felizes, pois podiam estudar e cumprir seus afazeres sem se preocupar com o que aconteceria na sua ausência.

No ano seguinte elas resolveram fazer uma grande festa de aniversário para seus bichinhos de estimação. Havia muitos convidados, inclusive eu, e todos nos divertimos muito, dançamos, cantamos e comemos vários doces. E assim, com todos estes sentimentos, todos viveram felizes para sempre...

Fonte das imagens: Caso alguém conheça autoria de alguma destas ilustrações me mande um recado para eu colocar a autoria.

Cão http://www.ciadaspatas.com.br

Gato http://menina2010flor.blogspot.com

Pássaro http://passaroazulao.blogspot.com/ http://decorandoeservindo.blogspot.com/

Peixe http://meninadellart.zip.net http://www.simoneautoajuda.com


sábado, 8 de janeiro de 2011

Lançamento - A garotinha e o gatinho

A garotinha e o gatinho

Autora: Claudia Rodrigues Gomes

Era uma vez uma garotinha que passeando num jardim viu um gatinho e se encantou.

Só que este gatinho estava em cima de um muro de um terreno abandonado e ela não conseguia alcançá-lo.

Todos os dias esta garotinha passava pelo jardim e olhava o gatinho e o gatinho continuava lá, ele olhava para ela, porém nunca saia daquele muro. A garotinha ficava triste, pois queria estar com aquele gatinho, ela falava com ele, dizia o quanto desejava que ele chegasse até ela e nada, ele olhava e nada fazia.

O tempo foi passando e a garotinha foi vivendo sua vida triste por não poder chegar perto do gatinho, mas ela não desistia e estava sempre lá no jardim observando, sonhando e esperando que ele saísse do muro e viesse até ela, para que pudesse levá-lo e se divertirem juntos.

Um dia a menina não foi mais ao jardim e o gatinho ficou lá no muro pensando o que havia acontecido, pois ela sempre passava e ficava lá em baixo chamando e esperando ele descer, então ele sentiu falta daquela presença constante.

Foi aí que ele percebeu que o tempo passou e que a menina não ia mais aparecer.

Passaram-se mais alguns dias e ele adoeceu de tristeza, ficou fraco e caiu do muro. E a garotinha? Ah! Era tarde demais...

E ela já não estava mais lá para ampará-lo e cuidar dele... Até hoje não se sabe o que aconteceu com o gatinho...

E a garotinha ela cresceu e continuou vivendo sua vida...

Entendendo que cada um escolhe seu caminho, mesmo que se arrependa depois e quem sabe não dê mais tempo de corrigi-lo...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Agosto - Mês do folclore


A LENDA DA GRALHA AZUL






Era madrugada, o sol não demoraria a nascer e a gralha ainda estava acomodada no galho amigo onde dormira à noite, quando ouviu a batida aguda do machado e o gemido surdo do pinheiro.

Lá estava o machadeiro golpeando a árvore para transformá-la em tábuas. Quantos anos levou a natureza para que o pinheiro atingisse aquele porte majestoso e agora, em poucas horas, estaria estendido no solo, desgalhado e pronto para entrar na serralheria do grotão.

A gralha acordou.
As pancadas repetidas pareciam repercutir em seu coração.
Num momento de desespero e simpatia, partiu em vôo vertical, subiu muito além das nuvens para não ouvir mais os estertores do pinheiro amigo.

Lá nas alturas, escutou uma voz cheia de ternura: - Ainda bem que as aves se revoltam com as dores alheias.
A gralha subiu ainda mais, na imensidão. Novamente a mesma voz a ela se dirigiu: - Volte avezinha bondosa, vai novamente para os pinheirais. De hoje em diante, Eu a vestirei de azul, da cor deste céu e, ao voltar ao Paraná, você vai ser minha ajudante, vai plantar os pinheirais. O pinheiro é o símbolo da fraternidade. Ao comer o pinhão, tira-lhe primeiramente a cabeça, para depois, a bicadas, abrir-lhe a casca. Nunca esquece de antes de terminar o seu repasto, enterrar alguns pinhões com a ponta para cima, já sem cabeça, para que a podridão não destrua o novo pinheiro que dali nascerá. E os pinheiros vão nascendo. "Do pinheiro nasce a pinha, da pinha nasce o pinhão... "Pinhão que alegra nossas festas, onde o regozijo barulhento é como um bando de gralhas azuis matracando nos galhos altaneiros dos pinheirais do Paraná. Seus galhos são braços abertos, permanentemente abertos, repetindo às auras que o embalam o meu convite eterno: Vinde a mim todos..."

A gralha por uns instantes atingiu as alturas. Que surpresa! Onde seus olhos conseguiam ver o seu próprio corpo, observou que estava todo azul. Somente ao redor da cabeça, onde não enxergava, continuou preto. Sim preto, porque ela é um corvídeo.

Ao ver a beleza de suas penas da cor do céu, voltou célere para os pinheirais.

Tão alegre ficou que seu canto passou a ser um verdadeiro alarido que mais parece com vozes de crianças brincando.
A gralha azul voltou. Alegre e feliz iniciou seu trabalho de ajudante celeste.

Fonte: Texto de Alceu Maynard Araújo - http://vivianepatrice.blogspot.com/

sábado, 26 de junho de 2010

Stellaluna - Janell Cannon

Em uma floresta quente e úmida, muito, muito longe daqui, vivia uma mamãe morcego e sua neném que acabara de nascer.
Ah, como a Mamãe Morcego adorava sua nenenzinha pequena e macia!
- Vou dar a ela o nome de Stellalluna - murmurou.
Toda noite, Mamãe Morcego carregava Stellaluna abraçada contra o peito, quando saía voando à procura de comida.
Certa noite, quando Mamãe Morcego seguia o aroma forte de frutas frescas, uma coruja a viu. E em vôo silencioso o pássaro mergulhou em direção aos morcegos.
Desviando-se e gritando, a Mamãe Morcego tentou fugir, mas a coruja a atacou e tornou a atacar, e ela soltou Stellaluna no ar. As asinhas de neném da morceguinha continuaram imóveis e inuteis que nem papel molhado.
Ela foi caindo, caindo, cada vez mais rápido em direção a uma floresta lá em baixo.
O emaranhado escuro de folhas e galhos aparou Stellaluna na queda. Um raminho foi bastante fino para prender seus pezinhos.
Ela fechou as asas sobre o corpo e se agarrou no raminho, tremendo de frio e medo.
- Mamãe - Stellaluna soltou um guincho agudo. - Cadê você?
Quando o dia raiou, a morceguinha não agüentava mais. E recomeçou a cair sem parar.
Plom! Stellaluna bateu de cabeça em um ninho fofo e macio, assustando os três filhotes de passarinho que morava ali.
Stellaluna se arrastou depressa para fora de vista. Prestou atenção na algazarra dos três passarinhos.
- Que foi isso? - Exclamou Flape.
- Não sei, mas está pendurado pelos pés - Piou Flipe.
- Pss! Aí vem Mamãe - Sibilou Flope.
Muitas e muitas vezes naquele dia mamãe Passarinho saiu com comida para seus filhotes.
Stellaluna sentiu uma fome louca - mas não por aquelas coisas esquisitas que Mamãe Passarinho trazia.
Mas, finalmente, a morceguinha não conseguiu mais agüentar. Subiu para o ninho, fechou os olhos e abriu a boca.
Plum! Lá se foi para dentro um enorme gafanhoto verde!
Stellaluna aprendeu a agir como passarinho. Ficava acordada durante o dia e dormia à noite. Comia insetos, embora tivessem um gosto horrível. Foi perdendo depressa o seu jeito de morcego. Com uma exceção: Stellaluna ainda gostava de dormir pendurada pelos pés.
Uma vez, quando Mamãe estava fora, os passarinhos curiosos resolveram experimentar também. Quando Mamãe passarinho voltou para casa viu oito pezinhos agarrados na borda do ninho.
- Iiiih! - exclamou. - Subam já aqui! Vocês vão cair e quebrar o pescoço!
Os passarinhos treparam de novo no ninho, mas Mamãe Passarinho segurou Stellaluna.
- Você está ensinando coisas feias para os meus filhotes. Só vou deixar você voltar para o ninho se prometer que vai obedecer todas as regras desta casa.
Sellaluna prometeu. E comeu insetos sem fazer careta. Dormiu dentro do ninho à noite . E não se pendurou mais pelos pés. Stellaluna passou a se comportar como um bom passarinho.
Os quatro filhotes cresceram depressa. e logo o ninho ficou apertado.
Mamãe anunciou que estava na hora de aprender a voar. Um a um, Flope, Flipe, Flape e Stellaluna saltaram do ninho.
Suas asas se abriram e voaram!
Eu sou igualzinha a eles, pensou stellaluna. Posso voar, também.
Flope, Flipe, Flape pousaram graciosamente sobre um galho.
Stellaluna tentou fazer o mesmo.
Que vergonha!
Vou voar o dia inteiro, Stellaluna disse a si mesma. Então ninguém vai ver como sou desajeitada.
No dia seguinte, Flope, Flipe, Flape e Stellaluna saíram voando para bem longe de casa. Voaram horas, exercitando as asas novas.
- O sol está se pondo - alertou Flipe.
- É melhor voltarmos para casa ou vamos nos perder no escuro - falou Flape.
Mas Stellaluna se adiantara muito e ninguém conseguiu mais vê-la. Os três passarinhos ansiosos voltaram para casa sem ela.
Sozinha, Stellaluna voou, e voou, até as asas doerem e ela cair sobre a copa de uma árvore.
- Eu prometi não me pendurar pelos pés - Stellaluna suspirou. Então se pendurou pelos polegares e logo adormeceu.
Ela não ouviu o som abafado de asas que se aproximavam.
- Ei! - uma voz alta chamou. - Por que você está pendurada de cabeça para baixo?
Os olhos de Stellaluna se arregalaram. Ela viu uma cara estraníssima.
- Eu não estou de cabeça para baixo, você é que está! - Stellaluna retrucou.
- Ah, mas você é um morcego. Os morcegos se penduram pelos pés. Você está pendurada pelos polegares, portanto você está de cabeça para baixo! - disse o bicho. - Eu sou um morcego. Estou pendurado pelos pés. Portanto estou com a cabeça para o lado certo.
Stellaluna ficou confusa.
- Mamãe Passarinho me disse que eu estava de cabeça para baixo. Ela disse que eu estava errada...
- Errada para um passarinho, talvez, mas não para um morcego.
Mais morcegos se juntaram em volta para ver o morceguinho esquisito que se comportava como um passarinho. Stellaluna contou a eles sua história.
- Você comia in-insetos? - gaguejou um.
- Você dormia à noite? - disse o outro, pasmo.
- Que coisa esquisita! - murmuraram.
- Esperem! Esperem! Me deixem dar uma olhada nesse filhote. - Um morcego abriu caminho pelo ajuntamento. - Uma coruja atacou você? - perguntou. E cheirando o pêlo de Stellaluna, falou baixinho: - Você é Stellaluna. Você é a minha neném.
- Você escapou da coruja? - exclamou Stellaluna. - Você se salvou?
- Me salvei - confirmou Mamãe Morcego enquanto envolvia Stellaluna em suas asas. - Venha comigo e vou-lhe mostrar onde existem frutas deliciosas. Você nunca mais vai ter que comer inseto na vida.
Mas já é noite - Stellaluna guinchou. - Não podemos voar à noite porque vamos bater nas árvores.
- Nós somos morcegos - falou Mamãe Morcego. - Podemos ver no escuro. Venha conosco.
Stellaluna teve medo, mas soltou-se da árvore e se deixou cair no ar azul-escuro.
Stellaluna enxergava mesmo. Tinha a sensação que raios de luz jorravam de seus olhos. Conseguia enxergar tudo que havia no caminho.
Logo os morcegos encontraram uma mangueira, e Stellaluna comeu toda a manga que coube em sua barriguinha.
- Nunca mais vou comer inseto enquanto eu viver - alegrou-se Stellaluna enquanto se empanturrava. - Preciso contar a Flope, Flipe, Flape!
No dia seguinte Stellaluna foi visitar os passarinhos.
- Venham comigo conhecer minha família morcego - convidou Stellaluna.
- Oba, vamos pessoal - concordou Flope.
- Eles se penduram pelos pés, voam a noite e comem a melhor comida do mundo - Stellaluna foi explicando aos passarinhos pelo caminho.
Quando os passarinhos voaram entre os morcegos, flape comentou:
- Eu me sinto de cabeça para baixo aqui.
Então os passarinhos se penduraram pelos pés.
- Esperem até escurecer - Stellaluna falou animada.- Vamos voar à noite.
Quando chegou à noite Stellaluna saiu voando. Flope, Flipe, Flape saltaram da árvore para acompanhá-la.
- Não consigo ver nadinha! - gritou Flope.
- Nem eu - gemeu Flipe.
- Aaiii! - guinchou Flape.
- Eles vão bater - arfou Stellaluna. - Preciso Salva-los!
Stellaluna deu um mergulho e agarrou os amigos no ar.
levou-os até uma árvore e os passarinhos se encarapitaram em um galho. Stellaluna se pendurou em outro acima daquele.
- Estamos seguros - falou stellaluna. Depois deu um suspiro. - Como seria bom se vocês pudessem enxergar no escuro também.
- Como seria bom se você pudesse pousar com os pés em um galho - respondeu Flipe. Flope e Flape concordaram coma cabeça.
Ficaram encarapitados em silêncio durante muito tempo.
- Como podemos ser tão diferentes e nos sentirmos tão iguais? - Perguntou Flipe, pensativo.
-E como podemos nos sentir tão diferentes e sermos tão iguais? - espantou-se flope.
-Acho que isto é um grande mistério - piou Flape.
- concordo - respondeu Stellaluna . - Mas somos amigos.
E isto é um fato.

Vale a pena conferir no livro
Fonte: (Texto) Cannon, Jamell. Stellaluna. Rio de Janeiro : Rocco, 1997.




quinta-feira, 8 de abril de 2010

Como apareceu a noite


No princípio não havia noite — dia somente havia em todo tempo.
A noite estava adormecida no fundo das águas. Não havia animais; todas as coisas falavam.
A filha da Cobra Grande – contam – casara-se com um moço. Esse moço tinha três fâmulos fiéis. Um dia, ele chamou os três fâmulos e disse-lhes:
— Ide passear, porque minha mulher não quer dormir comigo.
Os fâmulos foram-se, e então ele chamou sua mulher para dormir com ele. A filha da Cobra Grande respondeu-lhe
— Ainda não é noite.
O moço disse-lhe:
— Não há noite, somente há dia.
A moça falou:
— Meu pai tem noite. Se queres dormir comigo, manda buscá-la lá, pelo grande rio.
O moço chamou os três fâmulos; a moça mandou-os à casa de seu pai, para trazerem um caroço de tucumã. Os fâmulos foram, chegaram à casa da Cobra Grande, esta lhes entregou um caroço de tucumã muito bem fechado e disse-lhes:
— Aqui está; levai-o. Eia! Não o abrais, senão todas as coisas se perderão.
Os fâmulos foram-se, e estavam ouvindo barulho dentro do coco de tucumã, assim: tem, tem, tem… xi… Era o barulho dos grilos e dos sapinhos que cantam de noite. Quando já estavam longe, um dos fâmulos disse a seus companheiros:
— Vamos ver que barulho será este?
O piloto disse:
— Não, do contrário nos perderemos. Vamos embora, eia, remai!
Eles foram e continuaram a ouvir aquele barulho dentro do coco de tucumã, e não sabiam que barulho era. Quando já estavam muito longe, ajuntaram-se no meio da canoa, acenderam fogo, derreteram o breu que fechava o coco e abriram-no. De repente, tudo escureceu.
O piloto então disse:
— Nós estamos perdidos; e a moça, em sua casa, já sabe que abrimos o coco de tucumã!
Eles seguiram viagem.
A moça, em sua casa, disse então a seu marido:
— Eles soltaram a noite; vamos esperar a manhã.
Então, todas as coisas que estavam espalhadas pelo bosque se transformaram em animais e pássaros. As coisas que estavam espalhadas pelo rio se transformaram em patos e em peixes. Do paneiro gerou-se a onça; o pescador e sua canoa se transformaram em pato; de sua cabeça nasceram a cabeça e o bico do pato; da canoa, o corpo do pato; dos remos, as pernas do pato.
A filha da Cobra Grande, quando viu a estrela-d’alva, disse a seu marido:
— A madrugada vem rompendo. Vou dividir o dia da noite.
Então, ela enrolou um fio e disse-lhe:
— Tu serás cujubim.
Assim ela fez o cujubim; pintou a cabeça do cujubim de branco, com tabatinga; pintou-lhe as pernas de vermelho com urucum e, então disse-lhe:
— Cantarás para todo sempre, quando a manhã vier raiando.
Ela enrolou o fio, sacudiu cinza em riba dele, e disse:
— Tu serás inhambu, para cantar nos diversos tempos da noite e de madrugada.
De então pra cá todos os pássaros cantaram em seus tempos, e de madrugada para alegrar o Princípio do dia. Quando os três fâmulos chegaram, o moço disse-lhes:
— Não fostes fiéis – abristes o caroço de tucumã, soltastes a noite e todas as coisas se perderam, e vós também, que vos metamorfoseastes em macacos, andareis para todo sempre pelos galhos dos pau. (A boca preta e a risca amarela que eles têm no braço, dizem que são ainda o sinal do breu que fechava o caroço de tucumã e que escorreu sobre eles quando o derreteram.)

Lenda tupi registrada por General Couto de Magalhães em O selvagem

quarta-feira, 10 de março de 2010

Uma Pedra com barba


Uma hiena que caçava encontrou uma pedra com barba. Ela gritou:
- É a primeira vez que vejo uma pedra com barba!
Na mesma hora caiu morta.
Um momento depois, a pedra a trouxe de volta à vida e lhe disse:
- É sempre assim com as pedras barbadas. Se alguém diz: - É a primeira vez que vejo uma pedra com barba”, morre na mesma hora. É a lei.
A hiena pediu desculpas por sua ignorância, voltou para casa e imaginou ver aí uma boa oportunidade para acertar contas com sua velha adversária, a lebre. Ela lhe disse, mentindo desavergonhadamente:
- Encontrei uma coisa extraordinária. É uma pedra que tem barba. O problema é que ela mata imediatamente qualquer um a não ser que se diga ao vê-la: “É a primeira vez que vejo uma pedra com barba”. Se você não diz essa frase, você morre. Entendeu bem?
- Estendi bem – disse a lebre. Vamos ver isso.
Chegaram junto à pedra com barba e a hiena disse à lebre:
- Ande logo, diga a frase, senão você já era!
- Esqueci a frase. O que devo dizer mesmo?
- Vamos lembre! É a primeira vez...
- E a primeira – repetiu a lebre.
- Que eu vejo...
- Que eu vejo...
- Uma pedra...
- Uma pedra...
- Uma pedra com...
- Uma pedra com ... repetia a lebre
- Termine, agora!
- Termine, agora!
- Não, acabe a sua frase!
- Não, acabe a sua frase! Repetiu a lebre.
- Mas, como você é burra! – urrou a hiena.
- Mas como você é burra! – gritou a lebre.
- Imbecil! Cretina! Não consegue se lembrar de uma frase tão simples? É a primeira vez que vejo...
- É a primeira vez que vejo...
- Uma pedra com barba! – urrou a hiena no auge da sua raiva.
E na mesma hora ela caiu morta.
A pedra com barba disse à lebre:
- Eu a tinha perdoado uma primeira vez, mas duas, francamente, já é demais.
- Concordo com você, disse a lebre.
E a lebre voltou para casa tranqüilamente.

Conto tradicional do Senegal. Fonte: O Círculo dos Mentirosos de Jean-Claude Carrière. Ed.Codex.
Fonte:http://www.aletria.com.br/historias.asp?id=286

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O que significa trabalho em equipe?

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.
Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao curral da fazenda advertindo a todos:
- Há uma ratoeira na casa! Há uma ratoeira na casa!
A galinha disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi então até o porco e lhe disse:
- Senhor Porco, há uma ratoeira na casa, uma ratoeira...
O porco disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar.
Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca.
A vaca lhe disse:
- O que Senhor Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo?
- Acho que não Senhora Vaca... Respondeu o rato.
Então o rato voltou para seu canto, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro sozinho.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa.
E a cobra picou a mulher.
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital era grave, porém por um milagre se recuperou e voltou para casa, mas com muitos cuidados.
Saúde abalada nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal, a galinha.
Como a doença da mulher continuava, os parentes, amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher se recuperou e o fazendeiro feliz da vida resolveu dar uma festa, matou a vaca para o churrasco...
MORAL DA HISTÓRIA:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando existir uma ratoeira todos correm risco.
(Fonte: catequistasheila)