
A chama da Alma


O Mosquito dengoso (Zeneide Lima)
(Vale a pena conferir o livro as ilustrações também são muito bonitas)
Dona cutia, todos os dias acordava bem cedinho para procurar tucumã na mata. Era seu fruto favorito!
Sentava à sombra de uma árvore e passava a manhã inteira roendo e roendo o frutinho delicioso.
Naquela manhã, estava ela em sua atividade preferida quando espantou-se com o canto altíssimo de Dona Saracura.
- Quiricó, quiricó, quiricó-có-có.
- Ai que susto a senhora me deu, cantando alto desse jeito, amiga saracura!
- Ah, me desculpe, Dona Cutia, mas vim lhe contar uma coisa que me deixou muito preocupada.
- O que foi, amiga?
- O jacaré me disse que tem um mosquito estrangeiro que veio do Egito para a nossa mata e que está infestando nossos bichos e até os seres humanos com uma doença que pode até matar.
- Que horror, Dona saracura!
- Pois é, amiga cutia. Estão dizendo que esse mosquito é muito metido a besta. Só gosta de água limpinha e parada. Fiquei preocupada com o amigo jacaré que mora naquela lagoa enorme.
- Nossa, Dona Saracura, é mesmo, temos que avisar ao compadre Caranguejo pois onde ele mora também tem muita água parada.
- E a senhora sabe o nome dessa doença?
- Não, mas o jacaré disse que quem pega essa doença fica todo dengoso, é uma tal de denguice paca, denguice pra lá que não se agüenta levantar para nada.
- Temos de tomar providências, Dona saracura!
E as duas saíram apressadas à procura do Professor Papagaio e o encontraram pousado em uma árvore, no meio da floresta.
Dona saracura foi logo dizendo:
- Seu Papagaio, o senhor não pode imaginar o perigo que estamos correndo. Tem um bicho estrangeiro que transmite um tal de “dengo”, e vamos todos morrer de denguice. O Seu Jacaré me disse que não tem certeza se é mosquito mesmo ou se é um bicho bicudo. Eu até pensei em seu Tamanduá, pois ele é que tem um focinho comprido!
O Professor Papagaio disse:
- Se acalme, Dona Saracura. Não vamos fazer um julgamento precipitado, vou saber tudo sobre essa doença agora mesmo.
O Professor Papagaio voou até um hospital na cidade mais próxima e ficou ali, olhando tudo, ouvindo conversas e pulando de janela em janela para não perder nada. Ouviu tudo que os médicos disseram sobre a dengue.
E no dia seguinte, pediu para Dona Saracura reunir os homens que moravam ali perto e os bichos da floresta.
Todos estavam preocupados e perguntavam:
- como este bicho entrou na mata sem que ninguém visse?
- Não adianta mais jogar inseticida neles?
- Será que vamos morrer?
E era um disse que disse, um cochicho aqui outro ali e mais os homens e a bicharada se apavoravam.
– Muita calma, minha gente!, disse o Papagaio.
- Agora já sei de tudo. O nome desse mosquito é Aedes Aegypti, e tem esse nome porque veio do Egito.
- Aedes a...a...a...o quê Professor?
- Aedes Aegypti , Dona Saracura!
– Ah, então meu amigo Jacaré tinha razão. Esse mosquito é estrangeiro mesmo!
– Sem dúvidas, Dona Saracura! Ele se espalhou pelo mundo a partir da África há muitos anos atrás. Primeiro veio para as Américas nos navios negreiros e depois foi para a Ásia. Hoje é encontrado em todas as áreas de clima quente do mundo, inclusive aqui no Brasil. E o nome da doença não é “dengo”, e sim dengue.
- Mas e os bichos, o que podemos fazer para nos proteger?
– Não precisamos nos proteger Dona Cutia, a dengue não é transmitida para os bichos, apenas para os seres humanos e eles não ficam “dengosos” e sim doentes com febre, dor de barriga, dor de cabeça e uma dor muito forte nos ossos. A dor é tão grande que em alguns lugares do país esta doença é chamada de “quebra-ossos” e pode até matar.
- Mas então como vamos ajudar os homens?
- Calma, não vamos nos desesperar. Temos que aprender a combater o mosquito e a melhor forma é eliminando a larva dele. A fêmea gosta de pôr seus ovos em água parada e limpa, e durante a gestação pica os homens para se alimentar.
- Nossa Professor, esse mosquito mais parece um morcego-vampiro!
- É Dona saracura, ele é muito perigoso e quando a fêmea se alimenta é que a doença é transmitida, pois, se pica uma pessoa contaminada, vai se espalhando a doença. Os humanos têm que aprender a combater estes monstrinhos.
- Mas como, Seu Papagaio?
O verdinho chamou os homens e aconselhou.
- voltem à cidade e digam a todos que não devem deixar água acumulada em pratos, pneus velhos e garrafas. Tampar bem as caixas-d’água, verificar as plantas que acumulam água.
A água parada parece limpa, mas não está. Existem muitos micróbios que se acumulam nestes locais e servem de alimento para que as larvas se desenvolvam.
- E mesmo com todos estes cuidados, para manter o mosquito bem longe, é preciso também que fiquem de olho nos vizinhos e, a qualquer sinal de criadouro do mosquito, os homens devem ser solidários e ajudar uns aos outros. Só assim vão vencer o mosquito.
A saracura cutucou a Cutia e disse muito orgulhosa:
- Mas que papagaio esperto, amiga Cutia!!!
Os bichos e os homens agradeceram ao Professor Papagaio por todos os conselhos. Agora, eles já sabiam o que deveriam fazer. Sabiam que as fêmeas picam os humanos e transmitem a doença e que gostam de lugares escuros. E, a partir daquele dia, se organizaram para combater o mosquito e, em pouco tempo, já não se via mais nenhum pneu velho acumulando água, os pratinhos das plantas tinham areia, as caixas-d’água estavam bem lacradas e protegidas por telas e os vizinhos se ajudavam e cuidavam do local onde viviam.
Os bichos da floresta ficaram muito tranqüilos e olhavam com satisfação o trabalho dos homens e com orgulho para o Professor Papagaio.
E o mosquito da dengue? Bem... desse, nunca mais se ouviu falar.
Era uma vez uma floresta encantada, onde moravam várias fadinhas, cada qual com um poder específico.
Tinha a fada do vento que balançava as árvores e dava movimento às plantas, a fada da água que utilizava seu poder para cuidar das águas do grande rio da floresta e dos peixinhos que moravam lá, a fada que falava com os animais e os ajudava a resolver todos os seus problemas e muitas outras…
Só que existia uma pequena fadinha que ainda não tinha descoberto o poder da sua magia.
Suas asas ainda não tinham crescido e ela ainda não sabia voar.
Ficava tentando falar com os animais, agitar o vento ou controlar as águas do rio, mas nada acontecia.
Saiu andando pela floresta, meio triste, coitadinha, pois achava que não servia para nada, que não tinha era poder nenhum.
Até passar por um lindo campo repleto de flores que ficaram muito alvoroçadas ao vê-la passar.
Ela ficou meio surpresa com a recepção das flores e disse com todo carinho:
- Bom dia, florzinhas!
E elas responderam em coro:
- Bom dia, querida fada das flores!
- Fada das flores, eu?
- Sim! e nós estávamos ansiosas esperando você chegar…
- Mas… vocês me conhecem?
- Claro que sim! nós vimos você nascer e a escolhemos para ser nossa fada madrinha!
- Mas eu não tenho nenhum poder, não posso ajudá-las em nada, sinto muito.
- Poder? você não imagina o poder que tem no seu coração, fadinha!
- Sério? então vocês podem me ajudar a usá-lo?
Então as flores pediram que ela se concentrasse e erguesse suas mãos, com pensamento positivo e desejando no fundo do coração que uma magia boa acontecesse sobre as flores.
De repente as flores que estavam ainda fechadas desabrocharam com cores lindas e as que estavam já ficando murchinhas recuperaram sua beleza e um perfume maravilhoso!
A fadinha não estava acreditando no que estava acontecendo, até que suas asas começaram a crescer, nas cores do arco-iris, e ela começou a voar, jogando sua magia sobre as flores que em retribuição jogaram algumas pétalas para o alto.
A fadinha teve uma idéia: recolheu as pétalas num cestinho e voou até a cidade mais próxima, jogando-as sobre as casas e pessoas para ver o que acontecia.
Uma pétala caiu sobre uma casa onde um casal estava brigando, quase se separando e quando aquela pétala tocou na casa deles imediatamente se abraçaram e fizeram as pazes, deixando muito felizes seus filhinhos.
Outra caiu em baixo de uma ponte onde moravam algumas crianças abandonadas e um casal sem filhos que ia passando pelo local de carro parou e as convidou para morarem em sua casa, formando assim uma linda família.
E assim, por onde a fadinha jogava suas pétalas encantadas, muitas coisas boas iam acontecendo.
Ela então entendeu que o poder da sua magia, que ela tanto procurava, estava o tempo todo dentro do seu coração: era o AMOR!
Meu nome é Sheila Jorge, moro no Rio de Janeiro e sou Analista de Marketing por profissão e blogueira de coração.



Ela tinha quatro filhas: Florina, Florisbela, Florípedes e Florzina.





A terceira filha, Florípedes,

vendo que suas irmãs ganharam um bichinho de estimação, também quis um e pediu um pássaro. A mãe lhe trouxe um pássaro azul que logo foi chamado de Azulão.

Como a quarta filha, Florzina,

não havia pedido nada, ela lhe trouxe um peixinho que passou a se chamar Tiquinho por ser muito pequeno.

Os dias se passaram e elas divertiam-se muito com seus novos amigos, até que um dia, Mimoso passou a ter o desejo de comer aquele lindo pássaro azul. E o peixinho então... ele achava que devia ser delicioso.
As meninas tiveram que ficar vigiando, porém, havia horas que elas tinham que cumprir suas tarefas, estudo, ajudar a mãe nos trabalhos domésticos.
Thuthuco passou a tomar conta do gato, para que ele não fizesse nenhuma maldade aos outros indefesos. Ele vigiava dia e noite, passava horas olhando para o aquário e para a gaiola.
Florípedes então teve uma idéia:
- Vamos treinar o Azulão, para que ele fuja do Mimoso. E assim fez.
Azulão ficava solto e quando o gato vinha, ele voava bem alto para que Mimoso não o pegasse. E o gato então ficava furioso.
Vocês me perguntarão. E o peixinho no aquário? Ah! O Thuthuco continuava vigiando, com isso o cachorro ficava horas olhando para o aquário. Ele ficou com muita pena do peixe e passou a ter um carinho muito especial por ele.
Os dois conversavam sobre vários assuntos, tornaram-se grandes amigos, e o gato ficava lá observando e sentindo-se sozinho, quando sua dona não estava. Sentiu inveja do cachorro e foi conversar com ele.
- Como pode viver assim, sem ter vontade de comer este peixinho? - perguntou Mimoso
- Temos que nos respeitar, uns aos outros, veja como este peixe aí preso é indefeso. Imagine você preso em algum lugar. O que não queremos para nós, não podemos desejar para os outros. Sempre disseram que cachorro persegue gatos.
Alguma vez já te persegui?
Você gostaria que eu ficasse te perseguindo? Pense nisso e você entenderá. - disse o cachorro.
O gato saiu cabisbaixo e foi se deitar no seu cantinho. Pensou, pensou, até que chegou à conclusão de que o Thuthuco tinha razão.
Nunca mais ele perseguiu o Azulão e o Tiquinho. Surgiu entre eles uma grande amizade, recheada de amor, carinho, sinceridade e principalmente respeito.
As meninas ficaram muito felizes, pois podiam estudar e cumprir seus afazeres sem se preocupar com o que aconteceria na sua ausência.
No ano seguinte elas resolveram fazer uma grande festa de aniversário para seus bichinhos de estimação. Havia muitos convidados, inclusive eu, e todos nos divertimos muito, dançamos, cantamos e comemos vários doces. E assim, com todos estes sentimentos, todos viveram felizes para sempre...



Fonte das imagens: Caso alguém conheça autoria de alguma destas ilustrações me mande um recado para eu colocar a autoria.
Cão http://www.ciadaspatas.com.br
Gato http://menina2010flor.blogspot.com
Pássaro http://passaroazulao.blogspot.com/ http://decorandoeservindo.blogspot.com/
Peixe http://meninadellart.zip.net http://www.simoneautoajuda.com
A garotinha e o gatinho
Autora: Claudia Rodrigues Gomes
Era uma vez uma garotinha que passeando num jardim viu um gatinho e se encantou.
Só que este gatinho estava em cima de um muro de um terreno abandonado e ela não conseguia alcançá-lo.
Todos os dias esta garotinha passava pelo jardim e olhava o gatinho e o gatinho continuava lá, ele olhava para ela, porém nunca saia daquele muro. A garotinha ficava triste, pois queria estar com aquele gatinho, ela falava com ele, dizia o quanto desejava que ele chegasse até ela e nada, ele olhava e nada fazia.
O tempo foi passando e a garotinha foi vivendo sua vida triste por não poder chegar perto do gatinho, mas ela não desistia e estava sempre lá no jardim observando, sonhando e esperando que ele saísse do muro e viesse até ela, para que pudesse levá-lo e se divertirem juntos.
Um dia a menina não foi mais ao jardim e o gatinho ficou lá no muro pensando o que havia acontecido, pois ela sempre passava e ficava lá em baixo chamando e esperando ele descer, então ele sentiu falta daquela presença constante.
Foi aí que ele percebeu que o tempo passou e que a menina não ia mais aparecer.
Passaram-se mais alguns dias e ele adoeceu de tristeza, ficou fraco e caiu do muro. E a garotinha? Ah! Era tarde demais...
E ela já não estava mais lá para ampará-lo e cuidar dele... Até hoje não se sabe o que aconteceu com o gatinho...
E a garotinha ela cresceu e continuou vivendo sua vida...
Entendendo que cada um escolhe seu caminho, mesmo que se arrependa depois e quem sabe não dê mais tempo de corrigi-lo...

Em uma floresta quente e úmida, muito, muito longe daqui, vivia uma mamãe morcego e sua neném que acabara de nascer.
Fonte: (Texto) Cannon, Jamell. Stellaluna. Rio de Janeiro : Rocco, 1997.
