Um dia, a rainha de um reino bem distante bordava perto da janela do castelo, uma grande janela com batentes de ébano, uma madeira escuríssima. Era inverno e nevava muito forte.
A certa altura, a rainha desviou o olhar para admirar os flocos de neve que dançavam no ar; mas com isso se distraiu e furou o dedo com a agulha.
Na neve que tinha caído no beiral da janela pingaram três gotinhas de sangue. O contraste foi tão lindo que a rainha murmurou:
— Pudesse eu ter uma menina branquinha como a neve, corada como sangue e com os cabelos negros como o ébano…
Alguns meses depois, o desejo da rainha foi atendido.
Ela deu à luz uma menina de cabelos bem pretos, pele branca e face rosada. O nome dado à princesinha foi Branca de Neve.
Mas quando nasceu a menina, a rainha morreu. Passado um ano, o rei se casou novamente. Sua esposa era lindíssima, mas muito vaidosa, invejosa e cruel.
Um certo feiticeiro lhe dera um espelho mágico, ao qual todos os dias ela perguntava, com vaidade:
— Espelho, espelho meu, diga-me se há no mundo mulher mais bela do que eu.
E o espelho respondia:
— Em todo o mundo, minha querida rainha, não existe beleza maior.
O tempo passou. Branca de Neve cresceu, a cada ano mais linda…
E um dia o espelho deu outra resposta à rainha.
— A sua enteada, Branca de Neve, é agora a mais bela.
Invejosa e ciumenta, a rainha chamou um de seus guardas e lhe ordenou que levasse a enteada para a mata e lá a matasse. E que trouxesse o coração de Branca de Neve, como prova de que a missão fora cumprida.
O guarda obedeceu. Mas, quando chegou à mata, não teve coragem de enfiar a faca naquela lindíssima jovem inocente que, afinal, nunca fizera mal a ninguém.
Deixou-a fugir. Para enganar a rainha, matou um veadinho, tirou o coração e entregou-o a ela, que quase explodiu de alegria e satisfação.
Enquanto isso, Branca de Neve fugia, penetrando cada vez mais na mata, ansiosa por se distanciar da madrasta e da morte.
Os animais chegavam bem perto, sem a atacar; os galhos das árvores se abriam para que ela passasse.
Ao anoitecer, quando já não se agüentava mais em pé de tanto cansaço, Branca de Neve viu numa clareira uma casa bem pequena e entrou para descansar um pouquinho.
Olhou em volta e ficou admirada: havia uma mesinha posta com minúsculos sete pratinhos, sete copinhos, sete colherezinhas e sete garfinhos. No cômodo superior estavam alinhadas sete caminhas, com cobertas muito brancas.
Branca de Neve estava com fome e sede. Experimentou, então uma colher da sopa de cada pratinho, tomou um gole do vinho de cada copinho e deitou-se em cada caminha, até encontrar a mais confortável. Nela se ajeitou e dormiu profundamente.
Os donos da casa voltaram tarde da noite; eram sete anões que trabalhavam numa mina de diamantes, dentro da montanha.
Logo que entraram, viram que faltava um pouco de sopa nos pratos, que os copos não estavam cheios de vinho…Estranho.
Lá em cima, nas camas, as cobertas estavam mexidas…E na última cama — surpresa maior! — estava adormecida uma linda donzela de cabelos pretos, pele branca como a neve e face vermelha como o sangue.
— Como é linda! — murmuraram em coro.
— E como deve estar cansada — disse um deles —, já que dorme assim.
Decidiram não incomodar; o anão dono da caminha onde dormia a donzela passaria a noite numa poltrona.
Na manhã seguinte, quando despertou, Branca de Neve se viu cercada pelos sete anões barbudinhos e se assustou. Mas eles logo a acalmaram, dizendo-lhe que era muito bem-vinda.
— Como se chama? — perguntaram.
— Branca de Neve.
— Mas como você chegou até aqui, tão longe, no coração da floresta?
Branca de Neve contou tudo. Falou da crueldade da madrasta, da sua ordem para matá-la, da piedade do caçador que a deixara fugir, desobedecendo à rainha, e de sua caminhada pela mata até encontrar aquela casinha.
— Fique aqui, se gostar… — propôs o anão mais velho.
— Você poderia cuidar da casa, enquanto nós estamos na mina, trabalhando. Mas tome cuidado enquanto estiver sozinha. Cedo ou tarde, sua madrasta descobrirá onde você está, e se ela a encontrar… Não deixe que ninguém entre! É mais seguro.
Assim começou uma vida nova para Branca de Neve, uma vida de trabalho.
E a madrasta? Estava feliz, convencida de que beleza de mulher alguma superava a sua.
Mas, um dia, teve por acaso a idéia de interrogar o espelho mágico:
— Espelho, espelho meu, diga-me se há no mundo mulher mais bela do que eu.
E o espelho respondeu com voz grave:
— Na mata, na casa dos mineiros, querida rainha, está Branca de Neve, mais bela que nunca!
A rainha entendeu que tinha sido enganada pelo guarda: Branca de Neve ainda vivia! Resolveu agir por si mesma, para que não houvesse no mundo inteiro mulher mais linda do que ela.
Pintou o rosto, colocou um lenço na cabeça e irreconhecível, disfarçada de velha mercadora, procurou pela mata a casinha dos anões. Quando achou, bateu à porta e Branca de Neve, ingenuamente, foi atender.
A malvada ofereceu-lhe suas mercadorias, e a princesa apreciou um lindo cinto colorido.
— Deixe-me ajudá-la a experimentar o cinto. Você ficará com uma cintura fininha, fininha — disse a falsa vendedora, com uma risada irônica e estridente, apertando cada vez mais o cinto.
E apertou tanto, tanto, que Branca de Neve se sentiu sufocada e desmaiou, caindo como morta. A madrasta fugiu.
Pouco depois, chegaram os anões. Assustaram-se ao ver Branca de Neve estirada e imóvel.
O anão mais jovem percebeu o cinto apertado demais e imediatamente o cortou. Branca de Neve voltou a respirar e a cor, aos poucos, começou a voltar a sua face; melhorou e pôde contar o ocorrido.
— Aquela velha vendedora ambulante era a rainha disfarçada — disseram logo os anões.
— Você não deveria tê-la deixado entrar. Agora, seja mais prudente.
Enquanto isso, a perversa rainha, já no castelo, consultava o espelho mágico e se surpreendeu ao ouvi-lo dizer:
— No bosque, na casa dos anões, minha querida rainha, há Branca de Neve, mais bela que nunca. Seu plano fracassara! Tentaria novamente.
No dia seguinte, Branca de Neve viu chegar uma camponesa de aspecto gentil, que lhe colocou na janela uma apetitosa maçã, sem dizer nada, apenas sorrindo um sorriso desdentado. A princesinha nem suspeitou de que se tratava da madrasta, numa segunda tentativa.
Branca de Neve, ingênua e gulosa, mordeu a maçã. Antes de engolir a primeira mordida, caiu imóvel.
Dessa vez, devia estar morta, pois o socorro dado pelos anões, quando regressaram da mina, nada resolveu.
Não acharam cinto apertado, nem ferimento algum, apenas o corpo caído.
Branca de Neve parecia dormir; estava tão linda que os bons anõezinhos não quiseram enterrá-la.
— Vamos construir um caixão de cristal para a nossa Branca de Neve, assim poderemos admirá-la sempre.
O esquife de cristal foi construído e levado ao topo da montanha. Na tampa, em dourado, escreveram: “Branca de Neve, filha de rei”.
Os anões guardavam o caixão dia e noite, e também os animaizinhos da mata – veadinhos, esquilos e lebres —todos choravam por Branca de Neve.
Lá no castelo, a malvada rainha interrogava o espelho mágico:
— Espelho, espelho meu, diga-me se há no mundo mulher mais bela do que eu.
A resposta era invariável.
— Em todo o mundo, não existe beleza maior.
Branca de Neve parecia dormir no caixão de cristal; o rosto branco como a neve e de lábios vermelho como sangue, emoldurado pelos cabelos negros como ébano. Continuava tão linda como enquanto vivia.
Um dia, um jovem príncipe que caçava por ali passou no topo da montanha.
Bastou ver o corpo de Branca de Neve para se apaixonar, apesar de a donzela estar morta. Pediu permissão aos anões para levar consigo o caixão de cristal. Havia tanta paixão, tanta dor e tanto desespero na voz do príncipe, que os anões ficaram comovidos e consentiram.
— Está bem. Nós o ajudaremos a transportá-la para o vale. A donzela Branca de Neve será sua.
Com o caixão nas costas, puseram-se a caminho.
Enquanto desciam por um caminho íngreme, um anão tropeçou numa pedra e quase caiu. Reequilibrou-se a tempo.
O abalo do caixão, porém, fez com que o pedaço da maçã envenenada, que Branca de Neve trazia ainda na boca, caísse. Assim a donzela se reanimou. Abrindo os olhos e suspirando se sentou e, admirada, quis saber:
— O que aconteceu? Onde estou?
O príncipe e os anões, felizes, explicaram tudo.
O príncipe declarou-se a Branca de Neve e pediu-a em casamento. Branca de Neve aceitou, felicíssima.
Foram para o palácio real, onde toda a corte os recebeu.
Foram distribuídos os convites para a cerimônia nupcial. Entre os convidados estava a rainha madrasta — mas ela mal sabia que a noiva era sua enteada. Vestiu-se a megera suntuosamente, pôs muitas jóias e, antes de sair, interrogou o espelho mágico:
— Espelho, espelho meu, diga-me se há no mundo mulher mais bela do que eu.
E o fiel espelho:
— No seu reino, a mais bela é você; mas a noiva Branca de Neve é a mais bela do mundo.
Louca de raiva, a rainha saiu apressada para a cerimônia. Lá chegando, ao ver Branca de Neve, sofreu um ataque: o coração explodiu e o corpo estourou, tamanha era sua ira.
Mas os festejos não cessaram um só instante. E os anões, convidados de honra, comeram, cantaram e dançaram três dias e três noites. Depois, retornaram para sua casinha e sua mina, no coração da mata.
Fonte
Alfabetização : livro do aluno / Ana Rosa Abreu ... [et al.] Brasília : FUNDESCOLA/SEF-MEC, 2000. 3 v. : 128 p. n. 2.
Conteúdo: v.1: Adivinhas, canções, cantigas, parlendas, poemas, quadrinhas e trava-línguas; v.2: contos, fábula, lendas e mitos; v.3: textos informativos, textos instrucionais e biografias. 1. Alfabetização. 2. Ensino fundamental. 3. Escola pública. I. Abreu, Ana Rosa II. Aratangy, Claudia Rosenberg III. Mingues, Eliane IV. Dias, Marilia Costa V. Durante, Marta VI. Weisz, Telma VII. FUNDESCOLA VIII. MEC-SEF.
CDD 379.24
© 2000 Projeto Nordeste/Fundescola/Secretaria de Ensino Fundamental
Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida desde que citada a fonte.
Curiosidades
A história de Branca de Neve faz parte do folclore popular alemão e teve como seus compiladores os Irmãos Grimm. Esse material foi publicado entre os anos de 1812 e 1822, juntamente com outras histórias, no volume entitulado: Contos de Fadas para Crianças e Adultos (Kinder unde Hausmaërchen).
Branca de Neve pode ser caracterizado como um conto maravilhoso (histórias que apresentam um elemento mágico, sobrenatural).
Algumas das histórias dos autores:
- O lobo e os sete cabritinhos
- Rapunzel
- João e Maria
- Os músicos de Bremen
- Rumpelstiltskin
- Mesinha-ponha-se, o asno de ouro e porrete-pule-do-saco
- As viagens do Pequeno Polegar
- A raposa e os gansos
- O pobre e o rico
- A boa sopa
- A inteligente filha do camponês
- A lua azul
- A escolha de uma esposa
- A Bela Adormecida
- Os Sete Anões e a Branca de Neve
- O príncipe e o sapo
- O Flautista de Hamelim
- O Chapeuzinho Vermelho
- A Gata Borralheira
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Branca de Neve
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Chapeuzinho Vermelho - Irmãos Grimm e Braguinha
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela e, com o tempo, os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa. Morava numa casinha, no interior da mata.
De vez em quando ia lá visitá-la com sua mãe, e sempre levavam alguns mantimentos.
Um dia, a mãe da menina preparou algumas broas das quais a avó gostava muito mas, quando acabou de assar os quitutes, estava tão cansada que não tinha mais ânimo para andar pela floresta e levá-las para a velhinha.
Então, chamou a filha:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estas broinhas para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, não tem vontade de cozinhar.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, sem desviar do caminho certo. Há muitos perigos na floresta!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. A mãe arrumou as broas em um cesto e colocou também um pote de geléia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geléia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores.
A menina ia por uma trilha quando, de repente, apareceu-lhe na frente um lobo enorme, de pêlo escuro e olhos brilhantes.
Olhando para aquela linda menina, o lobo pensou que ela devia ser macia e saborosa. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas não teve coragem, temendo os cortadores de lenha que poderiam ouvir os gritos da vítima. Por isso, decidiu usar de astúcia.
— Bom dia, linda menina — disse com voz doce.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó, que não está muito bem de saúde.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha com as venezianas verdes, logo após o velho engenho de açúcar.
O lobo teve uma idéia e propôs:
— Gostaria de ir também visitar sua avó doente. Vamos fazer uma aposta, para ver quem chega primeiro. Eu irei por aquele atalho lá abaixo, e você poderá seguir por este. Chapeuzinho Vermelho aceitou a proposta.
— Um, dois, três, e já! — gritou o lobo.
Conhecendo a floresta tão bem quanto seu nariz, o lobo escolhera para ele o trajeto mais breve, e não demorou muito para alcançar a casinha da vovó.
Bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago broas feitas em casa, um vidro de geléia e manteiga fresca.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta. Enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A essa altura, Chapeuzinho Vermelho já tinha esquecido do lobo e da aposta sobre quem chegaria primeiro. Ia andando devagar pelo atalho, parando aqui e acolá: ora era atraída por uma árvore carregada de pitangas, ora ficava observando o vôo de uma borboleta, ou ainda um ágil esquilo. Parou um pouco para colher um maço de flores do campo, encantou-se a observar uma procissão de formigas e correu atrás de uma joaninha.
Finalmente, chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo broinhas, um pote de geléia e manteiga bem fresquinha!
Mas aí o lobo se lembrou de afinar a voz cavernosa antes de responder:
— Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque as broinhas, a geléia e a manteiga no armário, minha querida netinha, e venha aqui até a minha cama. Tenho muito frio, e você me ajudará a me aquecer um pouquinho.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar também no escuro, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para ouvir tudo, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.
— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com uma enorme barriga parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para31 atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudar!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e ficou preso no fundo do córrego.
O caçador foi embora contente e a vovó comeu com gosto as broinhas. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo seu — caminho”.
Fonte
Alfabetização : livro do aluno / Ana Rosa Abreu ... [et al.] Brasília : FUNDESCOLA/SEF-MEC, 2000. 3 v. : 128 p. n. 2.
Conteúdo: v.1: Adivinhas, canções, cantigas, parlendas, poemas, quadrinhas e trava-línguas; v.2: contos, fábula, lendas e mitos; v.3: textos informativos, textos instrucionais e biografias. 1. Alfabetização. 2. Ensino fundamental. 3. Escola pública. I. Abreu, Ana Rosa II. Aratangy, Claudia Rosenberg III. Mingues, Eliane IV. Dias, Marilia Costa V. Durante, Marta VI. Weisz, Telma VII. FUNDESCOLA VIII. MEC-SEF. CDD 379.24
Alfabetização: Livro do aluno
Volume 2
© 2000 Projeto Nordeste/Fundescola/Secretaria de Ensino Fundamental Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida desde que citada a fonte.
Curiosidades
Para quem não sabe os Irmãos Grimm chamavam-se Jacob e Wilhelm Grimm, nasceram na Alemanha em 1785 e 1786. Eles eram estudiosos do Folclore alemão, da língua Alemã , da mitologia e Direito. Escreveram seus famosos contos graças a uma extensa pesquisa dos contos que faziam parte do folclore do povo alemão. Eles adaptaram contos do folclore alemão, até então direcionados para adultos, para as crianças. Em 1812 publicaram Contos da Criança e do Lar, contendo uma coletânea de 51 contos infantis, resultado do talento e da pesquisa de ambos. A partir de então tornaram-se conhecidos vários personagens e histórias. A nossa imaginação agradece aos Irmãos Grimm !!!
Aquelas famosas músicas, que nós já ouvimos muitas e muitas vezes, tanto da Chapeuzinho Vermelho como de outras histórias infantis foram feitas pelo João de Barro (o Braguinha).Para conhecer mais a obra deste grande autor brasileiro acesse:
http://www.braguinha.ag.com.br/
Você também pode adquirir cds do autor procurando nas lojas pela coleção Disquinho. Esta coleção traz histórias infantis musicadas pelo Braguinha, são 50 títulos.
Texto retirado de: http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1
Pela Estrada (Braguinha)
Pela estrada a fora, eu vou bem sozinha
Levar esses doces para a vovozinha
Ela mora longe, o caminho é deserto
E o lobo mau passeia aqui por perto
Mas à tardinha, ao sol poente
Junto à mamãezinha dormirei contente
Lobo Mau (Braguinha)
Eu sou o lobo mau,
Lobo mau, lobo mau
Eu pego as criancinhas
Pra fazer mingau!
Hoje estou contente,
Vai haver festança
Tenho um bom petisco
Para encher a minha pança
domingo, 3 de janeiro de 2010
A mulher do pescador

Era uma vez um pescador muito pobre que morava com sua mulher numa cabana, na praia. Todos os dias ele ia pescar em alto-mar, com vara e anzol.
Um dia ele pegou um linguado enorme. “Não me mate”, o linguado pediu. “Na verdade eu sou um príncipe que uma bruxa transformou em peixe. Jogue-me no mar, por favor!”
Quando o pescador chegou em casa, de mãos abanando, contou para a mulher o que tinha acontecido. “E você não pediu nada para esse linguado?”, a mulher perguntou. “Volte lá, seu bobalhão, e peça uma casa.” O pescador saiu para o mar e chamou:
“Linguado, linguado, venha aqui, por favor”, e no mesmo instante o peixe mágico apareceu.
“Desculpe, mas minha mulher quer uma casa nova, já que lhe poupei a vida”, o pescador falou. ”Tudo bem”, disse o peixe. O pescador voltou para a praia e encontrou sua mulher instalada numa linda casinha.
Mas a mulher não estava satisfeita. “Volte lá e peça um castelo”, ordenou. E lá se foi o pescador chamar de novo o linguado.
Quando voltou para casa, o pescador encontrou um castelo com torres e ponte levadiça.
“Agora melhorou!”, a mulher falou.
Mas não demorou muito para ela mandar o marido chamar o linguado outra vez. Agora ela queria ser rei, e, à noite, quando voltou para casa, o pescador encontrou um palácio real.
Depois ela quis ser imperador. Nesse dia, quando voltou para casa, o pescador quase não conseguiu encontrar a mulher no imenso palácio imperial.
“Agora você está contente, não está?”, o pescador perguntou. A mulher pensou um pouco e respondeu: “Não. Agora eu quero ser Deus”.
O pescador ficou estarrecido, mas foi procurar o linguado. “ela quer ser Deus”, ele murmurou. “Pois sim”, disse o peixe. E nesse dia, quando voltou para casa chorando diante da velha cabana!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Minhas montagens
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
UMA HISTÓRIA DE BRUXA.
Quando ele viu Primo ficou encantado com suas maneiras gentis, e disse :-você quer aprender magia branca ?Primo disse :- sim quero aprender.
Primo aprendeu a fazer todos os tipos de magia, uma delas a que mais ele fazia era desfazer as que a bruxa da floresta negra havia feito, ela gostava de fazer os coelhos virarem sapos gigantes, que morriam de fome por não terem tanto mosquito para ele comerem,a bruxa era muito malvada.
Mas o que Primo demorou para desfazer foi um feitiço que a bruxa lançou para a pobre Beatriz camponesa da humilde que induzia a um sono profundo.Com a ajuda do Mago Branco Primo desfez o feitiço e se casou com a camponesa, que o amava muito, e o ajudava em sua obra contra a bruxa , mas Primo nem o Mago Branco , sabiam que Segundo era um aliado da malvada.

O encontro dos dois irmãos foi surpreendente,em uma noite de lua cheia segundo veio na casa da camponesa para refazer o feitiço, não a encontrou mais no local e saiu voando na vassoura que a bruxa o havia presenteado, e saiu as catas da camponesa esperando encontrar uma pobre e indefesa vitima, mas tal foi sua surpresa em ver que ela estava dormindo ao lado de seus irmão, ele observou a aliança nas mãos de ambos, ficou com um ódio profundo de Primo e lançou um feitiço cruel em que ambos se odiariam para sempre e a discórdia , fulminasse o lar e os corações de ambos e que a infelicidade fosse servida como o prato mais apetitoso do dia.
Então o coração de Primo e o coração de Beatriz começaram a brilhar, uma luz branca fosforescente começou a se irradiar por todo o quarto e Segundo fugiu em sua vassoura assustado.Contou para a bruxa o acontecido, ela disse que o amor de seu irmão por Beatriz e esta por ele impediam o feitiço de ser concretizado.Então a bruxa lançou na vila o feitiço das ratazanas, que começaram a devastar o alimento da Vila dos Humanos, e comiam tudo a sua frente e ate a madeira das casas elas comiam, muitos ficaram sem um teto para se abrigar ,porque as ratazanas comiam tudo.
O povo chorava em desespero então o Mago branco e Primo conseguiram fazer um encantamento para espantar as malditas que foram devorar a casa da bruxa e a deixaram sem casa.A bruxa pela primeira vez chorou e rogou uma praga na vila que nenhum pé de batata nasceria mais e nenhum agricultor iria sentir o gosto saboroso das batatas em sua mesa por sete anos.O povo trabalhava muito e gostava da terra e ficaram muito tristes por causa das colheitas que não vingavam, o Mago Branco havia saído da Vila e estava viajando, durante dois anos o povo passou fome.
Quando o Mago Branco chegou a Vila encontrou muitos bem magros, pensou que uma doença os estava afetando, quando descobriu que a bruxa havia feito um feitiço maligno ele pegou 3 batatas banhou em uma poção e a plantou e está resistiu a praga , o povo ficou contente e começaram a plantar as sementes que o Mago Branco havia trazido e em pouco tempo a Vila se tornou muito prospera e o povo feliz comemorava.
E Segundo soube , ficou com tanta raiva do irmão que resolveu matá-lo, a bruxa concordou imediatamente preparando uma poção de veneno, e a ainda se transformou em uma linda moça, e foram a Vila , mesmo com todas as maldades de Segundo ,Primo o havia perdoado, e quando ele eles estavam reunidos em volta da mesa farta , Segundo propôs um brinde com o vinho que ele havia trazido, mas o Mago Branco e Beatriz desconfiaram, da mudança repentina de comportamento de Segundo , e ficaram atentos aos movimentos deste,quando ele colocava a poção de veneno no copo de Primo, Beatriz trocou os copos imediatamente fingindo que um estava com uma pequena formiga e tirou para limpa-lo e como sua manga de seu vestido era bem grande , ela trocou os copos imperceptivelmente, antes, de pegar o seu e brindou com o cunhado com tranqüilidade.Mas sabe quem pegou o copo com veneno?
A bruxa que em poucos minutos morreu com a poção que ela mesmo havia preparado, Segundo chorou sua morte, e depois que a enterraram ele foi morar em um reino distante, dizem que Segundo se arrependeu verdadeiramente de suas maldades, e que com o passar do tempo ele se tornou um homem bom, que em vez de maltratar os animais ele os protegia.Outros ainda diziam que com o passar do tempo Segundo começou a ver que ele era humano e que os animais da floresta amavam o irmão porque ele era bom , e na solidão de seus pensamentos e na floresta, começou a refletir sobre suas ações, e sem a malvada bruxa para o aconselhá-lo a fazer maldades ele modificou seu comportamento se tornando bonzinho.
Outros viam de vez em quando um velhinho gentil, andando pela floresta soltando animais presos por homens malvados e que desaparecia sem deixar vestígios.E Segundo se tornou uma lenda contada pelos filhos de Primeiro.Fonte: escrevendo para meu grande amor
Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2007Código do texto: T772191
( http://recantodasletras.uol.com.br/infantil/772191 )
sábado, 17 de outubro de 2009
A Princesa e a Ervilha ( Adaptado do conto de Hans Christian Andersen )
Era uma vez um príncipe que queria se casarcom uma princesa, mas uma princesa de verdade, de sangue real meeeeesmo. Viajou pelo mundo inteiro, à procura da princesa dos seus sonhos, mas todas as que encontrava tinham algum defeito. Não é que faltassem princesas, não: havia de sobra, mas a dificuldade era saber se realmente eram de sangue real. E o príncipe retornou ao seu castelo, muito triste e desiludido, pois queria muito casar com uma princesa de verdade. Uma noite desabou uma tempestade medonha. Chovia desabaladamente, com trovoadas, raios, relâmpagos. Um espetáculo tremendo! De repente bateram à porta do castelo, e o rei em pessoa foi atender, pois os criados estavam ocupados enxugando as salas cujas janelas foram abertas pela tempestade. Era uma moça, que dizia ser uma princesa. Mas estava encharcada de tal maneira, os cabelos escorrendo, as roupas grudadas ao corpo, os sapatos quase desmanchando... que era difícil acreditar que fosse realmente uma princesa real. A moça tanto afirmou que era uma princesa que a rainha pensou numa forma de provar se o que ela dizia era verdade. Ordenou que sua criada de confiança empilhasse vinte colchões no quarto de hóspedes e colocou sob eles uma ervilha. Aquela seria a cama da “princesa”. A moça estranhou a altura da cama, mas conseguiu, com a ajuda de uma escada, se deitar. No dia seguinte, a rainha perguntou como ela havia dormido. — Oh! Não consegui dormir — respondeu a moça, — havia algo duro na minha cama, e me deixou até manchas roxas no corpo! O rei, a rainha e o príncipe se olharam com surpresa. A moça era realmente uma princesa! Só mesmo uma princesa verdadeira teria pele tão sensível para sentir um grão de ervilha sob vinte colchões!!! O príncipe casou com a princesa, feliz da vida, e a ervilha foi enviada para um museu, e ainda deve estar por lá...
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Eu te amo mais que ao sal
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Evento Hora do Conto
Setembro contos de fadas toda 6ª feira 10 h e 15 h na Biblioteca Popular Nunicipal do Grajaú -R. José Vicente 55 - Grajaú - Tel: 2577-14-13. Espero vocês.
sábado, 22 de agosto de 2009
Enrico de prata
ENRICO ERA, DE LONGE, O HOMEM MAIS RICO DE SEU PAÍS. TINHA TUDO QUE O DINHEIRO PODIA COMPRAR. MAS HAVIA UM PEQUENO PROBLEMINHA. POR MAIS DINHEIRO QUE ENRICO DE PRATA TIVESSE, ELE NÃO ERA FELIZ. POR MAIS QUE POSSUÍSSE GRANDES CASTELOS, CAVALOS VELOZES OU CARRUAGENS ELEGANTES, ELE CONTINUAVA SENDO UM VELHO AZEDO E ENJOADO.
UM DIA, QUANDO ENRICO NÃO AGÜENTAVA SER INFELIZ POR NEM MAIS UM SEGUNDO SEQUER, ELE BRADOU:
– JÁ CHEGA! NÃO AGÜENTO MAIS ISSO!
VEJA SÓ, BEM LÁ NO FUNDO, ENRICO ERA BOA GENTE. MAS FELICIDADE ERA UM ABSOLUTO MISTÉRIO PARA ELE, E SABIA QUE PRECISAVA TOMAR UMA ATITUDE A RESPEITO.
ENTÃO, DECIDIU PROCURAR OS MELHORES MÉDICOS QUE O SEU DINHEIRO PUDESSE PAGAR. TODO DIA, ENTRAVA NUMA DE SUAS CARRUAGENS ELEGANTES E, TODO DIA, VOLTAVA SEM UMA RESPOSTA. LOGO SE TORNOU EVIDENTE QUE NENHUM MÉDICO PODERIA RESOLVER SEU PROBLEMA.
FATO NÚMERO 1: SÓ PORQUE ALGO É CARO, NÃO SIGNIFICA QUE TENHA VALOR
O MOTORISTA DE ENRICO, QUE PERCEBIA O QUÃO INFELIZ ESTAVA SEU CHEFE, DECIDIU ENTÃO LHE FALAR A RESPEITO DE UM VELHO SÁBIO QUE VIVIA MUITO LONGE, NA CIDADE ANTIGA.
– OUVI DIZER QUE ELE TEM RESPOSTA PARA TUDO. TALVEZ SAIBA COMO AJUDÁ-LO, SENHOR.
– QUANDO QUISER A SUA OPINIÃO, EU A COMPRO DE VOCÊ - RESPONDEU ENRICO.
É CLARO QUE O MOTORISTA NEM FICOU OFENDIDO, POIS ELE (ASSIM COMO TODO MUNDO) JÁ SE ACOSTUMARA COM O JEITO DIFÍCIL DE ENRICO, QUE NUNCA SE DAVA POR SATISFEITO.
FATO NÚMERO 2: GENTE INFELIZ GOSTA QUANDO TODO MUNDO AO SEU REDOR FICA FELIZ
DE QUALQUER FOREM, ENRICO ESTAVA TÃO DESESPERADO QUE, SEM PEDIR DESCULPAS PELA GROSSERIA, MANDOU SEU MOTORISTA LEVÁ-LO IMEDIATAMENTE AO VELHO SÁBIO.
ELE SUBIU EM SUA CARRUAGEM MAIS LUXUOSA, COM SEUS CAVALOS MAIS VELOZES, LEVANDO SEUS MAIORES SANDUÍCHES, E FOI AO ENCONTRO DO VELHO SÁBIO QUE VIVIA MUITO LONGE.
DEPOIS DE DEZ LONGOS DIAS E NOVE LONGAS NOITES, ENRICO DE PRATA CHEGOU À CIDADE ANTIGA.
HAVIA MUITAS COISAS BONITAS PARA SE VER, MAS ENRICO NÃO DAVA BOLA.
ESTAVA OCUPADO DEMAIS TENDO PENA DE SI PRÓPRIO, JÁ QUE HAVIA COMIDO TODOS OS SEUS SANDUÍCHES E SUA BARRIGA ESTAVA RONCANDO.
ELES PASSARAM POR PRÉDIOS GRANDIOSOS, E MUITAS CATEDRAIS, MAS ENRICO FICOU DESAPONTADO AO VER QUE SEU MOTORISTA NÃO PARAVA EM NENHUM DELES.
ENFIM, QUANDO ENRICO ACHAVA QUE IA DESMAIAR DE FOME, A CARRUAGEM PAROU Á FRENTE DE UMA SIMPLES E PEQUENA CABANA.
– QUE LUGAR É ESSE? - GRITOU ENRICO DE PRATA PARA SEU MOTORISTA. - ESTE É O ENDEREÇO QUE ME DERAM, SENHOR.
– NÃO PARECE SER A CASA DE UM HOMEM IMPORTANTE – DISSE ENRICO.
– DESCE E VAI LÁ VER. ASSIM FEZ O SEU MOTORISTA E, COMO PREVISTO, ELES HAVIAM ACHADO A CASA CERTA.
ENRICO DE PRATA SALTOU DA CARRUAGEM, OLHOU PARA OS LADOS PARA TER CERTEZA DE QUE NINGUÉM O ESTAVA OBSERVANDO, E BATEU À PORTA. A PORTA SE ABRIU E LÁ ESTAVA UM VELHO BAIXINHO, CUJA BARBA QUASE CHEGAVA AO CHÃO.
ENRICO SE APRESENTOU, E QUANDO DISSE AO VELHO QUE VIERA DE MUITO LONGE PARA VÊ-LO, FOI CONVIDADO A ALMOÇAR E A EXPLICAR SEU PROBLEMA.
– BOM. ESTOU COM MUITA FOME. PODIA COMER UM BOI – DISSE ENRICO, QUE ESTAVA ACOSTUMADO A SER SERVIDO.
– NÓS NÃO VAMOS COMER UM BOI - DISSE O SÁBIO, COM UM LEVE SORRISO. - MAS MINHA MULHER É ÓTIMA COZINHEIRA. VENHA Á COZINHA E COMA CONOSCO.
ENTÃO ELES SE SENTARAM NUMA MESINHA, E ENRICO COMEU COMO SE PASSASSE FOME HÁ SEMANAS.
A SITUAÇÃO ESTÁ PÉSSIMA – EXPLICOU ENRICO, QUANDO TERMINOU UM DELICIOSO PRATO DE ESPAGUETE.
PASSEI A VIDA TODA ACUMULANDO UMA FORTUNA PARA PODER SER FELIZ. AGORA TENHO TODO O DINHEIRO QUE UM HOMEM PODE QUERER, MAS AINDA ASSIM NÃO SOU FELIZ.
O VELHO NÃO FICOU NEM UM POUCO SURPRESO. ELE CHEGOU PERTO DE ENRICO E DISSE:
– HÁ UM SEGREDO MUITO IMPORTANTE QUE DEVEMOS APRENDER NESTA VIDA, MAS É MUITO DIFÍCIL DE PERCEBER, E AINDA MAIS DIFÍCIL DE OUVIR A RESPEITO, ENTÃO A MAIORIA DAS PESSOAS DEIXA PASSAR.
– QUE SEGREDO É ESSE? - PERGUNTOU ANSIOSO ENRICO.
– - O SEGREDO… - DISSE O SÁBIO, DANDO UMA BREVE PAUSA ENQUANTO ENRICO SE AJEITAVA NA CADEIRA E AGUÇAVA OS OUVIDOS. - O SEGREDO É O SEGUINTE: SE VOCÊ PARTILHA O QUE POSSUI E PENSA NOS OUTROS ANTES DE PENSAR EM SI MESMO, VOCÊ VAI ENCONTRAR A FELICIDADE.
– ENRICO DE PRATA ESTAVA CHOCADO.
– É SO ISSO? - INDAGOU.
– É TUDO ISSO – RESPONDEU O VELHO.
ENRICO NUNCA OUVIRA FALAR SOBRE PARTILHAR E PENSAR NOS OUTROS PRIMEIRO. A VIDA INTEIRA, ESCUTARA QUE PARA SER RICO E BEM-SUCEDIDO TERIA PRIMEIRO. A VIDA INTEIRA TERIA DE PENSAR EM UMA ÚNICA COISA: EM SI PRÓPRIO! ELE COÇOU A CABEÇA E FRANZIU AS SOBRANCELHAS. ISSO NÃO PODIA ESTAR CERTO. O VELHO SÓ PODIA SER UM CHARLATÃO. UM IMPOSTOR. UM EMBUSTEIRO! ENRICO QUIS SAIR DE LÁ IMEDIATAMENTE.
– O SENHOR DEVE SER UM HOMEM MUITO OCUPADO. NÃO VOU MAIS TOMAR O SEU TEMPO – DISSE ENRICO, FINGINDO SER EDUCADO.
– COMO QUISER – DISSE O VELHO, SORRINDO. - ESPERO QUE ENCONTRE O QUE ESTÁ PROCURANDO.
– OBRIGADO – GRUNHIU ENRICO, QUE SAIU A PASSOS RÁPIDOS E BATEU A PORTA ATRÁS DE SI.
– FATO NÚMERO 3: QUANDO VOCÊ DIZ A VERDADE, AS PESSOAS COSTUMAM BATER A PORTA NA SUA CARA.
– ENRICO FICOU PARADO NA RUA POR ALGUNS MINUTOS, SEM SABER O QUE FAZER. A SITUAÇÃO PARECIA NÃO TER MAIS JEITO. VIERA DE LONGE PARA ENCONTRAR UM VELHO SÁBIO QUE, NO FIM DAS CONTAS, ERA DOIDO DE PEDRA.
– ENRICO DECIDIU QUE NÃO QUERIA CONVERSAR COM NINGUÉM POR UM TEMPO, NEM MESMO COM SEU MOTORISTA. ELE CHECOU SE SUA GORDA BOLSA, CHEIA DE DINHEIRO, CONTINUAVA EM SEU PODER E FALOU AO MOTORISTA PARA ESPERAR.
– QUERIA DAR UMA ESPIADA.
– QUERIA PENSAR.
– CAMINHOU POR HORAS E HORAS NA CIDADE ANTIGA. À CERTA ALTURA, PASSOU POR UM HOMEM QUE TENTAVA TROCAR A RODA DA CARROÇA DELE. O HOMEM OLHOU PARA ELE E SEUS OLHOS SE CRUZARAM. ENRICO FICOU SEM GRAÇA. PARECIA QUE O HOMEM ESTAVA TRABALHANDO HÁ HORAS E FICOU CLARO QUE PRECISAVA DE AJUDA, MAS ERA UM TRABALHO DURO E COMPLICADO. ALÉM DISSO, NINGUÉM MAIS HAVIA PARADO PARA AJUDAR. ENTÃO, POR QUE ENRICO IRIA FAZÊ-LO? ELE CONTINUOU A SUA CAMINHADA E VOLTOU A PENSAR SOBRE SI MESMO E COMO FARIA PARA ENCONTRAR A FELICIDADE.
– O TEMPO PASSOU, E ENRICO FINALMENTE SE DEU CONTA DE QUE ESTAVA ESCURECENDO E NÃO HAVIA MAIS NINGUÉM NAS RUAS. ELE NÃO SABIA ONDE ESTAVA, NEM COMO FARIA PARA ACHAR SUA CARRUAGEM E O MOTORISTA.
– ENTÃO, DOIS HOMENS SALTARAM DA ESCURIDÃO. UM DELES USAVA UM TAPA-OLHO E CAMINHAVA COM UMA BENGALA. O OUTRO ERA BAIXO E NÃO TINHA DENTES. ELES GRITARAM PARA ENRICO:
– POR FAVOR, NOS AJUDE, SENHOR. ESTAMOS EM DIFICULDADES. O SENHOR PODERIA NOS DAR UM TROCADO?
– É CLARO QUE NÃO – DISSE ENRICO, TORCENDO O NARIZ. - SE VOCÊS PRECISAM DE DINHEIRO, QUE TRABALHEM. - COM ISSO, ENRICO SE VIROU PARA SAIR DALI.
DE REPENTE, OS DOIS HOMENS RESMUNGARAM ALGO E FRANZIRAM OS OLHOS. O BAIXINHO TINHA UMA VOZ AMEAÇADORA:
– DEVE HAVER UM ENGANO, DOUTOR. NÃO ESTAMOS PEDINDO O SEU DINHEIRO. VAMOS PEGAR TUDO.
– O HOMEM COM O TAPA-OLHO COMEÇOU A BRANDIR SUA BENGALA E A GRITAR PARA ENRICO.
– - VAMOS LEVAR SUAS ROUPAS TAMBÉM, SENHOR BACANA. E SEJA RÁPIDO.
ENRICO NUNCA FORA AMEAÇADO ANTES. PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA, ELE SENTIU MEDO. RAPIDAMENTE, LHES DEU O QUE QUERIAM, E OS DOIS HOMENS CORRERAM NOITE ADENTRO, SATISFEITOS COM UM TRABALHO BEM-FEITO.
ENRICO FICOU SÓ, DE CUECA E MEIAS, NUMA RUA ESCURA E VAZIA. ELE PODIA SENTIR AS LÁGRIMAS ESCORRENDO POR SEU ROSTO.
– - E AGORA? EU ME METI NUMA CONFUSÃO – MURMUROU PARA SI MESMO.
– FATO NÚMERO 4: PESSOAS INFELIZES SEMPRE ATRAEM MAIS INFELICIDADE.
– DE REPENTE, ELE OUVIU O BARULHO DE UMA CARROÇA DESCENDO A RUA.
– - SOCORRO! SOCORRO! - GRITOU ENRICO, ENQUANTO CORRIA PARA TENTAR FAZER A CARROÇA PARAR.
– - O QUE O SENHOR ESTÁ FAZENDO SEM ROUPAS NO MEIO DA RUA? - PERGUNTOU O HOMEM SIMPLES QUE DIRIGIA A CARROÇA.
– - FUI ROUBADO. DOIS LADRÕES APARECERAM E BATERAM EM MIM. ELES LEVARAM TUDO. POR FAVOR, ME AJUDE – GRITOU ENRICO, SENTINDO-SE TERRIVELMENTE HUMILHADO.
– - O SENHOR ME AJUDOU QUANDO EU PRECISAVA? - PERGUNTOU O HOMEM. ENTÃO ENRICO SE DEU CONTA DE QUE ERA O MESMO HOMEM QUE PRECISARA DE AJUDA PARA TROCAR A RODA DA CARROÇA, O MESMO HOMEM QUE ENRICO IGNORARA.
– - PEÇO MIL DESCULPAS – DISSE ENRICO, ARREPENDIDO DE NÃO TÊ-LO AJUDADO QUANDO TEVE CHANCE. ENRICO FICOU LÁ, PARADO, DE CUECAS, CHORAMINGANDO.
– - PARA ONDE O SENHOR ESTÁ INDO? - PERGUNTOU O HOMEM.
– QUERO IR SOARA GRANA PRETA, O MEU CASTELO – RESPONDEU ENRICO. - FICA AO PÉ DAS MONTANHAS TUTUABEÇA.
HOUVE UMA LONGA PAUSA. O CASTELO DE ENRICO ERA MUITO LONGE, E ELE TINHA CERTEZA DE QUE O HOMEM NÃO IRIA AJUDÁ-LO. ELE SE SENTIA INDEFESO E PERDIDO.
– - NA VERDADE, VOU PASSAR PELAS MONTANHAS TUTUABEÇA, E O LEVO ATÉ LÁ. MAS O SENHOR TERÁ DE TRABALHAR PARA MIM ATÉ CHEGARMOS – DISSE O HOMEM DA CARROÇA.
– - EU, TRABALHAR PARA VOCÊ? - EXCLAMOU ENRICO DE PRATA, BRANDINDO OS BRAÇOS COM RAIVA. SEM CHANCE. SOU O MERCADOR MAIS RICO DA REGIÃO. EU NÃO TRABALHO PRA NINGUÉM.
– - TODO O DINHEIRO DO MUNDO NÃO VAI LHE AJUDAR AGORA. BOA SORTE- DISSE O HOMEM, QUE COMEÇOU A SE AFASTAR.
– ENRICO ENTROU EM PÂNICO. SABIA QUE NÃO HAVIA OUTRA ESCOLHA.
– - POR FAVOR, VOLTE AQUI. DESCULPE SE O OFENDI. É CLARO QUE VOU TRABALHAR PARA VOCÊ.
– - BEM, ENTÃO SUBA – DISSE O HOMEM. - E NADA DE FICAR RECLAMANDO.
– - SEM RECLAMAR – REPETIU ENRICO, LUTANDO PARA SUBIR A BORDO COM SUAS MEIAS.
– - MEU NOME É FORFILLA – ANUNCIOU O HOMEM, ENQUANTO FAZIA O CAVALO ANDAR. , AS QUERO QUE ME CHAME DE SR. FORFILLA.
– - EU SOU ENRICO DE PRATA, MUITO HONRADO EM CONHECÊ-LO, SR. FORFILLA – DISSE ENRICO, ENXUGANDO AS LÁGRIMAS DOS OLHOS.
– - PONHA ISSO. O SENHOR ESTÁ RIDÍCULO – DISSE O SR. FORFILLA, ESTENDENDO UM COBERTOR QUENTE PARA ENRICO SE COBRIR.
QUANDO CHEGARAM À PERIFERIA DA CIDADE, ELES PARARAM NA FRENTE DE UMA PEQUENA LOJA. O SR. FORFILLA PEDIU A ENRICO QUE PEGASSE UMA ESCRIVANINHA DE MADEIRA EM SUA CARROÇA E A ENTREGASSE AO HOMEM QUE TRABALHAVA LÁ.
ENRICO SE SENTIU MEIO RIDÍCULO, POIS ESTAVA VESTIDO APENAS UM COBERTOR. MAS LEMBROU-SE DE SUA PROMESSA E FEZ O QUE LHE FOI PEDIDO.
ERA UMA ESCRIVANINHA PESADA. ENRICO PENOU PARA TIRÁ-LA SOZINHO DA CARROÇA E CARREGÁ-LA PORTA ADENTRO. ERA UM TRABALHO DIFÍCIL, E ENRICO ESTAVA TODO SUADO QUANDO RETORNOU Á CARROÇA.
AO SE PREPARAREM PARA CONTINUAR A JORNADA, M HOMEM BAIXINHO SAIU CORRENDO DA LOJA, BEIJOU A MÃO DO SR. FORFILLA E ENTÃO LHE DEU UM BELO PAR DE BOTAS.
QUANDO O HOMEM VOLTOU PARA DENTRO, O SR. FORFILLA SE VOLTOU PARA ENRICO E DISSE:
– CALCE ISSO. O SENHOR NÃO PODE EXECUTAR TAREFAS PARA MIM USANDO APENAS MEIAS.
– - ESTAS SÃO AS MELHORES BOTAS QUE JÁ VI - DISSE ENRICO, SENTINDO-SE AGRADECIDO PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA.
CALÇOU AS BOTAS, E ELAS ERAM DO TAMANHO CERTO. ELE SE AGASALHOU COM O COBERTOR, E OS DOIS CONTINUARAM A JORNADA.
ENRICO ESTAVA MUITO CANSADO E, EM QUESTÃO DE MINUTOS, ADORMECEU.
QUANDO ACORDOU, JÁ ERA DE MANHÃ. O SOL BRILHAVA, OS PÁSSAROS CANTAVAM, MAS A CARROÇA NÃO SE MOVIA.
O SR. FORFILLA ESTAVA TERMINANDO SEU CAFÉ-DA-MANHÃ. ELE OLHOU PARA ENRICO E DISSE:
– ACORDOU ANIMADO, SR DE PRATA? O SENHOR VAI ACHAR UMA VELHA CADEIRA NO FUNDO DA CARROÇA. QUERO QUE A ENTREGUE AO HOMEM QUE TRABALHA NAQUELA LOJA LOGO ALI.
ENRICO NÃO GOSTOU DE TER QUE TRABALHAR ANTES DO CAFÉ, MAS HAVIA FEITO UMA PROMESSA AO SR. FORFILLA E QUERIA CHEGAR EM CASA. ENTÃO DESCEU COM SUAS BOTAS NOVAS E SEU COBERTOR ENROLADO E PEGOU A CADEIRA NO FUNDO DA CARROÇA. À LUZ DO DIA, REPAROU QUE NÃO ERA UMA CADEIRA COMUM. ERA UMA DAS MELHORES CADEIRAS QUE O DINHEIRO PODIA COMPRAR, E HAVIA SIDO FEITA COM INACREDITÁVEL AMOR E CUIDADO.
– ISTO DEVE VALER UMA FORTUNA – EXCLAMOU ENRICO.
– O SR. FORFILLA LHE DISSE PARA FICAR QUIETO E CONTINUAR O SEU TRABALHO.
ENRICO CARREGOU A CADEIRA ATÉ A PEQUENA LOJA. LOGO CONCLUI QUE ERA UMA ALFAIATARIA, AO SE VER RODEADO DE TECIDOS E MÁQUINAS. LÁ, ATRÁS DE UMA MESA, SENTADO NUMA CADEIRA MUITO DESCONFORTÁVEL, ESTAVA UM HOMEM BEM VELHINHO.
– COLOQUE ALI - DISSE O SR. FORFILLA, QUE HAVIA ENTRADO ATRÁS DE ENRICO.
– OBRIGADO. O SR. É UM ANJO - DISSE O ALFAIATE AO SR. FORFILLA. - MINHAS COSTAS DOLORIDAS VÃO GOSTAR DESTE BELO PRESENTE. - ENTÃO O HOMEM SE AGACHOU SOB SUA MESA E TIROU DOIS CASACOS MUITO BEM DOBRADOS. -
– POR FAVOR, ACEITE. VÃO MANTER O SENOR E O SEU AMIGO AQUECIDOS NUMA NOITE FRIA.
– O ALFAIATE LHES ENTREGOU OS CASACOS MAGNÍFICOS, QUE ERAM FEITOS DA MELHOR COURO E COSTURADOS COM O MAIOR CUIDADO.
– ENRICO DE PRATA FICOU SEM FALA. ERA O MAIS BELO PRESENTE QUE JÁ GANHARA.
– OS PRÓXIMOS DEZ DIAS SE SEGUIRAM DA MESMA FORMA. O SR.FORFILLA APARECIA COM UM MONTE DE COISAS DO FUNDO DE SUA CARROÇA(MARTELOS, QUADROS, LENÇÓIS E UM INFINITO SUPRIMENTO DE MÓVEIS E ROUPAS), E ENRICO AS CARREGAVA PARA DENTRO DAS CASAS E LOJAS DE OUTRAS PESSOAS.
ELE NUNCA HAVIA TRABALHADO TANTO NA VIDA. NUNCA HAVIA VISTO TANTA GENTE SORRIR. ESTAVA COMEÇANDO A SE SENTIR BEM CONSIGO MESMO.
FATO NÚMERO 5: SORRIR E CONTAGIOSO.
TODA VEZ QUE ENRICO ENTREGAVA ALGUMA COISA A ALGUÉM, GANHAVA DE VOLTA UMA OUTRA IGUALMENTE ÚTIL. E AO FIM DE CADA DIA, UM DESCONHECIDO BONDOSO OFERECIA A ELE E AO SR. FORFILLA UMA REFEIÇÃO E UMA CAMA QUENTE PARA DORMIREM.
ÁS VEZES HAVIA MÚSICA, E ELES CANTAVAM E DANÇAVAM.
ENRICO ESTAVA DORMINDO MELHOR DO QUE NUNCA EM SUA VIDA.
QUANDO ESTAVAM QUASE CHEGANDO AO SEU DESTINO, ENRICO SE VIROU PARA O SR.FORFILLA E DISSE:
– SUA VIDA É EXTREMAMENTE SIMPLES, E AINDA ASSIM PODE-SE VER QUE É UMA VIDA FELIZ. COMO PODE SER?
O ROSTO DO SR.FORFILLA SE ILUMINOU, E SEUS OLHOS BRILHARAM COMO SE HOUVESSE UM MONTE DE VELAS ESCONDIDAS.
– SOU FELIZ PORQUE CONHEÇO UM SEGREDO – RESPONDEU ELE.
– E QIE SEGREDO É ESSE? - PERGUNTOU ENRICO.
– NA VERDADE, É BEM SIMPLES – RESPONDEU O SR.FORFILLA. - SE VOCÊ PARTILHA O QUE POSSUI E PENSA NOS OUTROS ANTES DE PENSA EM SI MESMO, VOCÊ VAI ENCONTRAR A FELICIDADE.
ENRICO FICOU SURPRESO E SILENCIOSO, POIS ERA EXATAMENTE O QUE O VELHINHO DA CIDADE ANTIGA LHE DISSERA. MAS CONTINUAVA CONFUSO. ELES ESTAVAM RODANDO POR HORAS NO MEIO DE UMA FLORESTA, E ENRICO DECIDIU PEGAR AS RÉDEAS POR UM TEMPO, PARA QUE O SR. FORFILLA PUDESSE DESCANSAR.
ELE SE AGASALHOU COM O CASACO DE QUE TANTO GOSTAVA E, ENQUANTO O SR. FORFILLA DORMIA, PENSAVA COMO ERA AFORTUNADO POR TER ESTE BELO E QUENTE CASACO NUMA NOITE TÃO FRIA.
LEMBRO-SE DE COMO AS PESSOAS HAVIAM SIDO GENTIS. PERCEBEU QUE POR MAIS DE UMA SEMANA NÃO PENSAVA SOBRE A QUANTIDADE DE DINHEIRO QUE POSSUÍA. PERCEBEU QUE ESTAVA FELIZ.
QUANDO ALCANÇARAM OS LIMITES DA FLORESTA, PASSARAM POR UM MENDIGO TRÊMULO E DESCALÇO, QUE NÃO TINHA UM CASACO OU BOTAS PARA SE AQUECER. ENRICO TEVE PENA, MAS CONTINUOU EM FRENTE.
NO MEIO DA ESTRADA, PORÉM ELE PARAOU DE RENTE. FINALMENTE, HAVIA ENTENDIDO O QUE TODO MUNDO VINHA LHE DIZENDO. ELE TINHA ALI A OPORTUNIDADE DE ATENDER ÀS NECESSIDADES DE OUTRA PESSOA ANTES DAS SUAS.
ELE DESCEU DA CARROÇA E CORREU DE VOLTA PARA O MENDIGO. DEU A ELE SEU CASCO E SUAS BOTAS, ALÉM DE UM GRANDE ABRAÇO E UM BEIJO.
– POR FAVOR, ACEITE! ISSO ME FARÁ EXTREMAMENTE FELIZ – EXCLAMOU.
ANTES QUE O MENTIGO PUDESSE DIZER OBRIGADO, ENRICO CORREU DE VOLTA PARA A CARROÇA.
QUANDO O SOL ESTAVA NASCENDO. O SR. FORFILLA ACORDOU E VIU QUE ENRICO TINHA O VELHO CORBERTOR ENROLADO EM SEU CORPO E NADA ALÉM DE UM PAR DE MEIAS NOS PÉS.
– O QUE ACONTECEU COM SUAS ROUPAS? - PERGUNTOU.
ENRICO NÃO DISSE NADA, APENAS SE VIROU PARA O SR.FORFILLA E SORRIU PELA PRIMEIRA VEZ DESDE QUE DEIXOU DE SER CRIANÇA. SEU ROSTO S ILUMINOU E SEUS OLHOS BRILHAVAM COMO SE HOUVESSE UM MONTE DE VELAS ESCONDIDAS POR TRÁS DELES. O SR. FORFILLA SABIA EXATAMENTE O QUE HAVIA ACONTECIDO.
– NÓS ESTAMOS AGORA AOS PÉS DAS MONTANHAS TUTUABEÇA E POSSO VER SEU CASTELO DAQUI – DISSE O SR.FORFILLA.
– COMO O SENHOR SABE QUE AQUELE É MEU CASTELO? - PERGUNTOU ENRICO.
– PORQUE ERA MEU, ANTES DE O SENHOR COMPRÁ-LO – RESPONDEU O SR. FORFILLA. - JÁ FUI UM HOMEM MUITO RICO, E VIVIAS SOZINHO NAQUELE GRANDE CASTELO. MAS NÃO ERA FELIZ, ATÉ QUE DESCI DO MEU PEDESTAL E PARTILHEI O QUE EU TINHA COM OS OUTROS.
– ENRICO ESTAVA CHOCADO. ELE COMEÇAVA A VER AS COISAS COMO ELAS ERAM.
– ENTÃO É POR ISSO QUE O SENHO TINHA TODAS AQUELAS CADEIRAS LUXUOSAS! - EXCLAMOU.
– VEJO QUE É BEM ESPERTO PARA ALGUÉM COM UM NOME TÃO BOBO – DISSE O SR. FORFILLA.
– ENRICO OLHOU PARA O ALTO E RIU. ELE SABIA QUE HAVIA APRENDIDO UM SEGREDO MUITO IMPORTANTE SOBRE A FELICIDADE.
– LOGO CHEGARAM AO GRANAPRETA, E ENRICO PULOU DA CARROÇA.
– VENHA PARA DENTRO E EU LHE FAREI UM SANDUÍCHE – OFERECEU ENRICO.
– E OLHA QUE EU VOU MEMO – ACEITOU O SR.FORFILLA.
E OS DOIS AMIGOS ENTRARAM NO CASTELO.
FATO NÚMERO 6: QUANDO SE APRENDE A PARTILHAR, VOCÊ NÃO ENCONTRA SÓ FELICIDADE. ENCONTRA TAMBÉM UM AMIGO.
Fonte: Madona. Enrico de prata.–1ª ed.–Riode janeiro : Rocco, 2005.
Histórias para ler e viajar pelo imaginário
- A princesa e a ervilha
O que significa trabalho em equipe?
Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao curral da fazenda advertindo a todos:
- Há uma ratoeira na casa! Há uma ratoeira na casa!
A galinha disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi então até o porco e lhe disse:
- Senhor Porco, há uma ratoeira na casa, uma ratoeira...
O porco disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar.
Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca.
A vaca lhe disse:
- O que Senhor Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo?
- Acho que não Senhora Vaca... Respondeu o rato.
Então o rato voltou para seu canto, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro sozinho.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa.
E a cobra picou a mulher.
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital era grave, porém por um milagre se recuperou e voltou para casa, mas com muitos cuidados.
Saúde abalada nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal, a galinha.
Como a doença da mulher continuava, os parentes, amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher se recuperou e o fazendeiro feliz da vida resolveu dar uma festa, matou a vaca para o churrasco...
MORAL DA HISTÓRIA:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando existir uma ratoeira todos correm risco.
(Fonte: catequistasheila)


